quinta-feira, 24 de julho de 2014

CRÔNICA DA SAUDADE - 24/07/2014





                                                                                 



TRISTEZAS DE JULHO

             

Este mês de julho que está por terminar, além do frío e da chuva que fazem parte do nosso inverno, resolveu trazer, para dentro de cada um de nós que se encanta com os nossos escritores, em apenas três dias (bem próximos uns dos outros), uma imensa tristeza, que haveremos de carregar por toda a vida, já que cada uma das motivações tinham a vêr com a essência do atual ambiente literário brasileiro.


Logo em seguida, no dia 19, logo pela manhã, aos 80 anos, faleceu outro grande escriitor - Rubem Alves -, mineiro de Boa Esperança, autor de mais de 150 li-vros, envolvendo crônicas, literatura infanto-juvenil, filosofia, teologia e religião, onde se destacam O Quarto do Mistério, A Volta do Pássaro Encantado e Gandhi: A Magia dos Gestos Petiços. Rubem nos deixou, vítima que foi de um agravamento de males nas funções renais, pulmonares e circulatórias.

Cinco dias depois (por essa ninguém poderia esperar !), o nosso Ariano Suassuna, nascido, aqui, em João Pessoa, no dia 16 de junho de 1927, no Palácio da Redenção, já que o seu pai, João Suassuna, era, à época, o Presidente do Estado da Paraíba, morreu, no dia 23, no Hospital Português do Recife, onde se internára, há dois dias, vítima de um AVC.

Durante a revolução de 1930, aos 3 anos, Ariano ficou órfão, já que seu pai, por motivos políticos, foi assassinado e a família foi obrigada a mudar de cidade, tendo ido prá Taperoá, no interior do Estado, onde residiu, de 1933 a 1937, e onde iniciou seus estudos e teve os primeiros contátos com a cultura regional, assistindo a apresentações de mamulengos e a desafios de viola.

Em 1942, mudá-se, com a família, para o Recife, onde passou a estudar no Colégio Americano Batista e no Ginásio Pernambucano, ingressando, de-pois, no devido tempo, na Faculdade de Direito, onde fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco, para o qual escreveu, em 1947, a sua primeira peça: Uma Mulher Vestida de Sol e, no ano seguinte, Cantam as Harpas do Sião.

Em 1950, conclui o curso de Direito e passa a se dedicar à advocacia e ao teatro, tendo escrito, em 1956, a comédia O Auto da Compadecida - um grande sucesso teatral - e, a partir de 1970, inspirado e sob sua direção, o Movimento Armorial, cujo objetivo era valorizar os vários aspectos da cultura do nordeste brasi-leiro, como literatura de cordel, música, dança e teatro, entre outros.

                   Em 1971, iniciou sua trilogia com o Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue Que Vai-e-Volta, dando sequência, a partir dai, à várias outras hustórias.

                   Mas o melhor de Ariano era a sua presença: divertido, sempre feliz, incapaz de relatar tristezas, ele conquistava mais ainda a quem o conhecia de perto, ouvindo o seu papo e rindo com suas piadas.

                   Ainda bem que tive esse privilégio: e foi lá, em Taperoá, cercado de cabritos e tendo, ao longe, a Pedra do Reino, que ouvi as suas histórias e passei a admirá-lo muito mais, já que a criatura humana que ali estava, nos fazendo rir, era tão admirável quanto o genial escritor que habitava a sua mente.

                   Foi esse o Ariano Suassuna que conhecemos, não só através sua obra literária marcante como pelo seu espírito divertido e o seu modo único de contar his-tórias nordestinas.

                   Ubaldo... Rubem Alves... Ariano... um trio do outro mundo, que deu relevância à nossa literatura e, soube, melhor que ninguém, dizer o que sentia e o que o povo queria saber.

                   Agora, de repente, eles se foram.

                   São as tristezas de julho.
  

                   

quarta-feira, 16 de julho de 2014

COMENTANDO A NOTÍCIA - 16/07/2014


COMENTANDO A Notícia - 16/07/2014

                                                                     



COMENTANDO A Notícia - 16/07/2014

A Notícia: Luiz Felipe Scolari Localidade: Não e Mais o Treinador da Seleção Brasileira. No FIM da Noite dEste  domingo , um dia DEPOIS da Derrota POR 3 a 0 par a Holanda, Pela decisão do Terceiro Lugar da Copa do Mundo, a CBF aceitou o Pedido de demissão. Felipão, Segundo o Seu assessor de Imprensa, AINDA Localidade: Não havia Sido Avisado da decisão da Entidade - o técnico estava Dormindo. O Comunicado oficial da CBF Devera Ser Feito Nesta segunda-feira. Com Felipão, Sairam also de Todos os Componentes da de comissão Técnica da Seleção, inclusive o Coordenador técnico  Carlos Alberto Parreira EO auxiliar técnico Flávio Murtosa. Treinador O,  Campeão do Mundo  los 2002, ficou los POSIÇÃO Muito Frágil POR Causa da goleada POR 7 a 1 sofrida na Partida contra a Alemanha, Pela semifinal fazer Mundial.

Nosso Comentário:

                                   NOSSA OPINIÃO

                                  
                                   Se a Seleção Brasileira de Futebol, em 2002, com toda a categoria que lhe é peculiar, foi  campeã do mundo na Copa daquele ano e o técnico era o Felipão, nada mais justo que a CBF, analisando todo o trabalho que desenvolveu em Portugal, não tivesse dúvidas e o convidasse para assumir o cargo de técnico da canarinha.

                                   Só que o futebol, como tudo na vida, evolui e foram alguns países europeus, certamente, os que melhor se adaptaram ao novo estilo, preparando-os de-vidamente para a Copa de 2014.

                                   O problema não era o técnico: fosse quem  fosse, teria, certamen-te, cometido os mesmos erros, já que a lição de casa teria de ser iniciada, como é normal, com a convocação dos melhores jogadores (é claro), mas mantendo, nas próximas escalações, os mesmos jogadores (se possível), paa que eles, ao longo do tempo, aprendessem novas estratégias, que seriam utilizadas, cada vez com mais desenvoltura, ao longo dos quatro anos que faltavam para a Copa do Mundo.

                                   A mesma coisa deve ser feita agora: não interessa o nome do técnico, mas ele  terá que mostrar à CBF, em reuniões sucessivas, tudo o que planejou (e porque planejou) para convocar aqueles jogadores, mostrando que eles são capazes de seguir um ritmo de trabalho, tanto fora (nos treinamentos), como no gramado, que os leve a trabalhar como uma verdadeira equipe, tendo, nas suas cabeças, as melhores soluções para os maiores problemas que ocorram ao longo dos jogos.

Só agora, em 2014, preparando-se para a Copa das C onfedera-
çoes, a Seleção Brasileira enfrentará, até o fim do ano, as seleções da Argentina, Colombia, Equador e Turquia, quando, na verdade, apenas para treinamento, alguns selecionados europeus poderiam estar incluídos, a fim de testar, mais ainda, aquilo que vamos colocar em campo.
                                  
                                   É claro que o treinador deve ser bem  escolhido – independente da nacionalidade -, mas o que vai valer mesmo, em termos de futuro, é sua orga-nização e os seus planos estratégicos, através dos quais seus jogadores haverão de se movimentar no gramado, independente de quem seja o adversário.

                                   Como a Seleção da Alemanha soube fazer.

                                   Dando, sem dúvida, uma lição de futebol, justo no país onde o esporte é a própria alma do seu povo.
                                  

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Mesmo sem graça... RISO, BRASIL !




                                                                                 


























quinta-feira, 10 de julho de 2014

CRÔNICA DA SAUDADE - 10/07/2014




                                                                         



                      ROSIL E JACKSON


                        Preciso agradecer, inicialmente, ao amigo Rômulo Nóbrega, que me enviou, na manhã de hoje, um e-mail, contendo, na sua essência, a lembrança de que, nesta data, há 40 anos (quando, na verdade, são 46), falecia, em Campina Grande, Rosil Cavalcanti.
                        Foi com meu compadre Rosil (já que ele, graças à nossa amizade, era padrinho de um dos meus filhos) que vivi, no tempo em que dirigia artísticamente a antiga Rádio Borborema de Campina Grande, um dos períodos mais felizes da minha vida, já que a gente, na maioria dos finais-de-semana, fazia o que mais gostava, realizando pescarias no litoral paraibano.
                        De segunda à sexta-feira, é claro, fazendo jus às nossas obrigações, lá estávamos nós – envolvidos numa mesma e agradável rotina (já que a gente adorava o que fazia) – cuidando da programação da Borborema: eu, produzindo novelas como “As Aventuras do Flama” e programas diários como “Bom Dia Para Você”, “Seu Encrenquinha” e “Patrulha da Cidade”, entre outros, e Rosil, por outro lado, participando de produções, especialmente humorísticas, além, é claro, do “Forró de Zé Lagoa”, às oito da noite, onde ele, sozinho, é que fazia a festa, com impressionantes índices de audiência.
                        Está explicado porque, aos domingos, a gente jogava tudo pro espaço e ia curtir a vida com as nossas pescarias, momentos que seriam lembrados sempre com alegria, se não fosse o último deles, na Fazenda Campo de Boi, do major Veneziano, ali, pertinho de Campina, quando acampamos à beira do açude, na noiie de sábado, e ali ficamos até a madrugada do domingo, quando notei que Rosil não passava bem, sentindo dores no peito e resolvemos voltar. A partir daí, veio a internação hospitalar e, no dia seguinte, o que ninguém queria: o seu falecimento.
                        Com Jackson do Pandeiro, Rosil sempre manteve uma estreita amizade e, ao longo do tempo em que se firmou, na Rádio Borborema, como o inesquecível Zé Lagoa, obrigou-me, por muitas vezes, a criar programas de auditório com a presença do pandeirista, intérprete e amigo, que atuava em outras praças, apenas para que ele ouvisse algumas músicas que acabára de criar.
                        Músicas famosas como “Sebastiana”, “Na Base da Chinela”, “Quadro Negro”, “Tropeiros da Borborema” e tantas outras, a maioria delas interpretadas por Jackson, tornaram-se sucesso em todo o país.
                        Jackson do Pandeiro, alguns anos depois da partida do amigo, faleceu, de infarto, exatamente na mesma data (10 de julho), procurando garantir assim, certamente, o reencontro deles lá no céu, onde o forró, com certeza, neste momento, deve ter iluminado muito mais o firmamento.
                        Rosil e Jackson – duas figuras marcantes do mundo artístico paraibano – jamais serão esquecidas.






quarta-feira, 2 de julho de 2014

A CRÔNICA DO DIA - 02/07/2014




                                                                           


                             ESTÁ FÁCIL VOTAR

        Pela primeira vez, na Paraíba, está muito fácil escolher um candidato a Governador e votar com a consciência tranquila de que o melhor candidato para tomar conta do estado foi aquele em quem você votou.

       E sabem por que existe, por parte do eleitor, tanta certeza de que o candidato escolhido é o melhor para cuidar da nossa terra e da nossa gente ?

         É porque nunca houve, numa eleição paraibana, diferenças tão grandes e tão marcantes entre os candidatos que disputam o Governo do Estado.

       De um lado, como primeiro sem segundo, lá está o atual Governador, Ricardo Coutinho (PSB/PT), pensando que tudo pode, prometendo o que nunca fez em quatro anos, divulgando o que não existe em seu governo (como é o caso da segurança, onde enaltece o trabalho dos policiais que, segundo o anúncio, recebem os melhores salários do Brasil), das rodovias asfaltadas em todo o estado (esquecendo-se, é claro, da BR-008 - Belém/Caiçara - e tantas outras, onde, por conta da buraqueira e da falta de pavimentação, dezenas de municípios estão isolados do resto do estado), do setor da educação, que não atende aos anseios da população nem garante o futuro dos estudantes e, finalmente, da saúde pública, cujos hospitais e postos de atendimento, muitos sem médicos e sem as mínimas condições de receber doentes, pouco ou quase nada podem fazer para atender as necessidades da população.

         Do outro lado, lá estava, até um dia desses, Veneziano (PMDB), ex-prefeito de Campina, que fizera, na Rainha da Borborema, uma administração pouco aceita pelo povo campinense, repleta de atos insensatos e que gera-ram até intervenções da Justiça, mas que, de última hora, resolveu desistir de concorrer à eleição para Governador, colocando, em seu lugar, seu irmão Vi-talzinho, deputado federal, cujo destaque, até hoje, tem sido a sua indicação para presidir algumas CPi's no Congresso Nacional.

     Por fim, ao lado do povo, ansioso por voltar ao Governo para comple-mentar a sua última administração, bastante aplaudida e que, em tão boa hora, foi interrompida por ações de inimigos, não só do Governador, mas do povo paraibano, lá está o candidato Cássio Cunha Lima, recebendo, da nossa gente, na maioria dos municípios do estado, aplausos e gestos de reconhecimento e de alegria.

          Com esses candidatos que aí estão, o paraibano, sinceramente, não tem muito o que pensar na hora de exercer o voto a que tem direito no dia 3 de outubro: é Cássio... e ponto final !

            Nunca foi tão fácil escolher em quem votar.
               



domingo, 22 de junho de 2014

CRÔNICA DA SAUDADE - 13/06/2014




                                                                             


                                       MARLENE
                   Antes que o mês de junho chegue ao fim, não posso deixar de registrar o falecimento, no último dia 13 (sexta-feira), no Rio de Janeiro, de uma das mais marcantes cantoras do Brasil – Marlene -, fascinante estrela da era do rádio em nosso país e intérprete de alguns sucessos inesquecíveis da música popular brasileira.
                        A sua morte foi confirmada por funcionários do Hospital Casa de Portugal, em Rio Comprido, na região central do Rio de Janeiro, onde Marlene, aos 91 anos,  estava internada desde o dia 7 de junho, tendo falecido devido à uma severa pneumonia.
                        Nascida com o nome de Victória Bonauitti de Martino, no dia 22 de novembro de 1922, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, Marlene era filha de imigrantes italianos e, embora tenha estudado para ser contadora, resolveu fazer o que mais gostava e passou a investir numa carreira artística.
                        Foi assim, portanto, que adotou o nome de Marlene, em homenagem à atriz alemã Marlene Dietrich (de quem era fã), para que seus pais, extremamente conservadores, não descobrissem que era cantora.
                        Quando já cantava na Rádio Tupi, nos anos 40, foi descoberta pela mãe, que aplaudiu a filha enquanto cantava, indo, depois, com ela, para o Rio de Janeiro, onde, realmente, mais se destacou no mundo artístico, tendo vencido, em 1949, o Concurso para eleição da Rainha do Rádio, promovido pe-la Rádio Nacional, fáto que a colocou entre as maiores estrelas populares da época, tanto assim que o verso da música Cantoras do Rádio, imortalizada na voz de Carmen Miranda, é uma homenagem à Marlene e à outras estrelas da época, como Emilinha Borba, Linda e Dircinha Batista, todas já falecidas.
                        Marlene lançou seu primeiro álbum em 1946: um compacto com as canções Coitadinho do Papai e Um Ano Depois, passando a produzir, a partir daí, ininterruptamente, até o ano de 1979, quando lançou Raínhas do Rádio. A partir daí, lançou apenas mais quatro discos: Há Sempre Um Nome de Mulher (1987), Os ídolos do Rádio (1988), Marlene, Meu Bem (1996) e o úl-timo, Estrela da Manhã (1998).                       
.                       Espirituosa e divertida, Marlene nâo gostava de revelar a idade, especialmente nos últimos anos de vida, quando ela afirmava, em muitas entrevistas que nem ela mesma sabia.
                        _ Eu quero que o mistério continue. Um jornal botou que tenho 70 anos, outro anunciou que tenha 68, mas eu estou, na realidade, com cem anos: Firme forte e gostosa !
                        Marlene era assim, espalhando bom humor por onde passava e deixando, em suas interpretações, algumas das páginas mais inesquecíveis da música popular brasileira.
                        O Brasil jamais esquecerá sua voz.


                        https://www.youtube.com/watch?v=8DhEcWNIcfE

                       



sexta-feira, 2 de maio de 2014

POEMA DO DIA - 30/04/2014




                                                                               


                                                        ANA JÚLIA

                        Na última quarta-feira, 30 de abril, aconteceu o que todos esperavam, especialmente os pais – Deodato Filho e Ana Paula: linda, sorridente, fôfa (uma belezura !), chegou a este mundo para alegrar as nossas vidas, iluminando tudo em sua volta com o brilho da sua presença, a minha mais nova neta – Ana Júlia -, tornando, com sua presença, a existência, de cada um de nós, muito mais feliz !


                    JULINHA

De repente, lá estava ela: linda, fôfa, sorridente,
conquistando a todos com a sua doce presença,
cheia de encantos que envolvem um ser vivente, 
tornando a nossa vida mais bela e mais intensa.

Lá estava o rosto da Julinha, ali, como presente,
semeando, em um de nós, uma paixão imensa,
pura, forte e, a cada dia, muito mais envolvente,
trazendo motivação prá que tudo a gente vença.

Ana Júlia chegou ! E foi assim, bastante esperada,
que ela, (tão lindinha !), tomou conta do pedaço
e, num gesto mágico, transformou-se numa fada,

passando a iluminar nossas vidas em cada espaço,
garantindo, assim, que será sempre muito amada
por todos hoje trazem, felizes, um grande abraço !

                                                 Vôvô Coruja

segunda-feira, 28 de abril de 2014

CRÔNICA DA SAUDADE - 30-04-2014




                                                                           


SEIS ANOS SEM CAYMMI

                                               Nos anos 70, por quase um ano, curti a vida em Salvador, na Bahia, graças a um convite do jornalista, radialista e meu amigo de todas as horas, Luiz Otávio Amorim, que tão cedo resolveu partir para outras paragens. De repente, lá estava eu, na terra de tantos sonhos, percorrendo as ladeiras de Salvador, as suas muitas igrejas, o seu famoso Mercado Modelo e, pra que não disessem que eu fui pra lá só pra fazer turismo, preparava, ao mesmo tempo, as novas programações da Rádio Sociedade e da TV Itapuan, que eram os veículos associados, naquela época, no estado.
                                               Nas minhas andanças com Luiz Otávio, em busca de contratar pessoas que pudessem nos ajudar no lançamento das novas programações, fui apresentado à uma figura excepcional: o escritor Guido Guerra – um jovem e talentoso escritor, bastante conhecido em todas as áreas. Foi por intermédio de Guido que almoçamos, certo dia, com Jorge Amado e Zélia Katai, numa entrevista informal com o casal, quando descobrimos que o maior escritor brasileiro, à época, escrevia todos os seus livros à mão, já que nunca aprendera a usar uma máquina de datilografia. Era ela, a sorridente Zélia, sua companheira, quem botava ordem em todos os seus rascunhos, datilografando-os, um a um. E o que era mais incrível - conforme confidenciou – cabia à ela a tarefa de colocar as vírgulas e ponto-e-vírgulas que o nosso Jorge, comumente, esquecia de colocar.
                                               Foi com Guido Guerra, também, que fomos à festa dos 60 anos de Dorival Caymmi, grande amigo de Jorge Amado e um dos maiores e mais festejados compositores brasileiros de todos os tempos. Lá estávamos nós, na casa de Caymmi, na praia de Ondina, cercado por familiares – por Stella, sua esposa, e pelos filhos, Nana, Dori e Danilo, além de amigos e parentes – o próprio Caymmi, com seu jeitão de eterno jovem, apagando as 60 velinhas do bonito, cheiroso e enfeitado bolo.
                                               Nascido em Salvador, no dia 30 de abril de 1914, filho do funcionário público Durval Henrique, que tocava violão, bandolim e piano, e de Dona Sinhá, como sempre foi conhecida a sua mãe, Aurelina Cândida Caymmi, Dorival logo se aventurou pelo mundo da música. Em 1939, Caymmi já lançava, com Carmen Miranda, seu primeiro grande sucesso O que é que a baiana tem ? E logo vieram outros sucessos inesquecíveis da nossa música popular, como Boneca de Pixe, Na Baixa do Sapateiro, O Mar, O Samba da Minha Terra, Quem Não Gosta de Samba, É Doce Morrer no Mar (em parceria com seu amigo Jorge Amado), A Jangada Voltou Só, Requebre que eu dou um Doce, Vatapá, Rosa Morena, Marina, Gabriela, Nunca Mais, Sábado em Copacabana, Não Tem Solução e o célebre... Você Já Foi à Bahia ?, além de muitas outras páginas do nosso cancioneiro.                                                                                   Foi esse o Dorival Caymmi que conheci há mais de 30 anos atrás. Se esivesse vivo, estaria completando cem anos no próximo dia 30 e outro jantar festivo seria realizado em sua casa. 
                                                      E foi assim que esse homem sempre jovem, no dia 16 de agosto de 2008, resolveu partir para a eternidade, aos 94 anos, deixando tristes e saudosos todos os seus amigos e admiradores espalhados por esse imenso Brasil.


https://www.youtube.com/watch?v=EaPt8zhC3Jw

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A CRÔNICA DA SAUDADE - 17-04-2014




                                                                                     



     NELSON GONÇALVES

          Há dezesseis anos, no dia 18 de abril de 1998, o Brasil perdia muito da sua musicalidade e do seu romantismo com o falecimento de um dos seus mais consagrados cantores de todos os tempos, ídolo de milhões de brasileiros e dono de uma voz inconfundível: Nelson Gonçalves.

Filho de pais portugueses, que passaram a residir em São Paulo, no bairro do Braz, logo após o nascimento do primogênito, Antonio Gonçalves Sobral (era este o verdadeiro nome de Nelson Gonçalves), que nasceu em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, no dia 21 de julho de 1919.

Aos 16 anos, tornou-se lutador de boxe na categoria peso-médio, até que, dois anos depois, resolveu tentar a sorte como cantor. Num programa de calouros da Rádio Tupi de São Paulo fez a primeira tentativa e foi reprovado. Na segunda, foi contratado. Tentou fixar-se no Rio de Janeiro, mas foi em São Paulo onde recebeu convite para um teste de gravação e foi recomendado a RCA Victor pelos compositores Osvaldo França e Rosano Monello. Foi com a ajuda de Benedito Lacerda que gravou, em 1941, seu primeiro disco, onde o samba Sinto-me Bem, de Ataulfo Alves, fez um relativo sucesso, garantindo ao cantor dois contratos: um, com a gravadora e, outro, com a Rádio Mayrink Veiga, para onde foi levado por Carlos Galhardo. Nesse mesmo ano, ao gravar Renúncia, de Roberto Martins e Mário Rossi, deu início à uma série de sucessos que marcariam a década de 40, como a célebre canção Maria Bethânia, de Capiba, os tangos Carlos Gardel e Hoje Quem Paga Sou eu, de Herivelto Martins e David Nasser.

            Na década de 50, gravou sucessos marcantes de Adelino Moreira, como A Última Seresta e A Volta do Boêmio, além de parcerias com o compositor em Mariposa, Timidez e no bolero Fica Comigo Esta Noite. No final da década, Nelson tornou-se viciado, passando a travar uma dramática batalha contra as drogas, problema que acabaria por ocasionar uma interrupção em sua carreira em 1962, quando foi preso por acusação de tráfico, tendo sido absolvido em julgamento.

            Nessa época, formou-se um mutirão de amigos que se uniram em torno da sobrevivência do cantor... do seu retorno às atividades artísticas... de sua volta aos shows, às gravações e ao sucesso. Por telefone, ele pedia socorro. E foram muitas as vezes em que inventamos temporadas na Rádio Borborema de Campina Grande, onde ele vinha e se apresentava cercado de cuidados, acompanhado da esposa, que o mantinha afastado das drogas. Em 1965, ele já era o mesmo Nelson de sempre. Gago, inteiramente gago ao falar; perfeito, totalmente perfeito, ao cantar.

            Em vida, nenhum cantor popular foi maior do que Nelson: gravou 120 LPs,  20 CDs, vendeu 50 milhões de discos, ganhou 15 discos de platina e 41 de ouro.

           E ficou para sempre no coração do povo brasileiro. 



            https://www.youtube.com/watch?v=8YaOWBvx_Ms

domingo, 9 de março de 2014

A CRÔNICA DO DIA - 08 de março 2014




                                                                                   



SUPREMO DEBOCHE

Devido a alguns problemas de saúde que me fizeram passear, por alguns dias, em consultórios médicos e hospitais, tive que ficar, desde o dia 27 de março, com o julgamento dos embargos infringentes dos mensaleiros entalado na garganta, sem que surgisse uma única oportunidade para que escrevesse algo a respeito.

Hoje, finalmente, estou tranquilo e a postos diante do computador, pronto para, até que enfim, dizer - como num desencargo de consciência - tudo o que penso a respeito destta farsa que inocentou os mensaleiros do crime mais evidente que era o de formação de quadrilha, já que todos sempre agiram juntos e por um mesmo motivo, acatando as ordens do chefe José Dirceu que, por sua vez, só fazia o que o Lula mandava.

Durante um grande período de tempo, fiquei diante da TV, pasmado, ouvindo o que  cada um dos defensores dos reus diziam, tentando provar, por A mais B, que não houve formação de quadrilha na ação constante dos mnsaleiros no seu trabalho permanente de fazer uso do dinheiro público para calar a boca dos adversários, quando estava em jogo algum assunto de interesse do Governo.

Sempre foi assim: era o chefe José Dirceu a ouvir o que o Lula tinha a dizer e trasmitindo tudo, ítem por ítem, aos mensaleiros, especialmente, a Delúbio Soares e José Genoino, que logo partiam para cumprir as ordens, botando uma graninha nas mãos de todos os indicados e garantindo, assim, que o chefe supremo dormisse em paz.

Agora, eis que o Supremo Tribunal Federal - justamente o órgão público que mais tem revigorado a alma dos brasileiros -, numa decisão insensata, inocentou todos os mensaleiros do crime de formação de quadrilha.

Fui um supremo deobocre com o nosso povo, já tão sofrido.

Mais do que  nunca, o povo deve ir às ruas e exigir do Governo as reformas necessárias que devem ser feitas em nosso país, inclusive a reforma judiiciária, acabando com essa história de juizes serem indicados pela Presidência da República - justamente quem mais precisa de votos na hora do pega prá capar.

Do jeito que está, a quadrilha continua existindo... e o chefe supremo também - já que todos nós sabemos muito bem quem é.