quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A CRÔNICA DO DIA – 21/10/2010



SEGUNDO TURNO

No próximo dia 31 de outubro, os brasileiros estarão votando mais uma vez para Presidente da República e, em alguns estados da Federação, para Governador, pondo, assim, um ponto final nas eleições de 2010, que já determinaram, à esta altura, a vitória de candidatos ao Senado, à Câmara Federal e às Assembléias estaduais, cujos eleitos já estão festejando, em parte, os votos recebidos, de uma vez que a celebração definitiva sòmente será feita com a divulgação dos vencedores do segundo turno.

Se existe algo na legislação eleitoral que merece o nosso aplauso, esta é, sem dúvida, a possibilidade dada ao eleitor para que crie uma segunda chance, a fim de que todos repensem o seu voto e, com mais calma e ponderação, votem mais uma vez, agora com a certeza de que estarão escolhendo os melhores candidatos para atendimento aos anseios da população.

O segundo turno, portanto, só aparece nas eleições onde as dúvidas perma-necem durante todo o pleito, apesar do aparente favoritismo de A ou B, independente das forças políticas que o apóiam edo que dizem os institutos de pesquisa, já que, no final das contas, é ao povo que cabe decidir quem vai governar a sua terra.

Sendo um pleito bem mais fácil que o primeiro, de uma vez que o eleitor só terá que se preocupar a digitação de duas cifras (13 ou 45) para Presidente e outras duas cifras para Governador (nos estados onde houver eleição), como no caso da Paraíba (15 ou 40), o segundo turno, na verdade, é uma forma de tomada de tempo dos votantes para que repen-sem ou consolidem o seu voto.

É votar mais ou votar menos: são dois números apenas, bem fáceis de serem digitados, mas que significam, no momento rápido da sua digitação, a força de um sonho ou a realização de um desejo, já que eles deverão estar de acordo com que determina a sua consciência e com os anseios do seu coração.

A facilidade e a rapidez da votação, contudo, não alteram a responsabilidade da escolha, já que o tempo que manterá os eleitos nos cargos, fazendo ou desfazendo os nossos sonhos, continuará o mesmo: quatro anos.

Apesar de tudo parecer mais fácil, a dificuldade continua sendo a mesma, de uma vez que caberá, como sempre, ao povo, de forma definitiva, colocar os pontos nos is e dizer, em alto e bom som, quem é que vai governar o Brasil e, em nosso caso, quem é que vai comandar os destinos da Paraíba.

São dois candidatos apenas, com dois números – um menor, outro maior.

A escolha é sua: vote bem pelo bem de todos.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

CRÔNICA DA SAUDADE - 15/10/2010


LEGIÃO DA SAUDADE

Quando nasceu, no Rio de Janeiro, num domingo de sol – no dia 27 de março de 1960 -, Renato Russo recebeu o nome do pai, tendo sido registrado como Renato Manfredini Júnior, ganhando, com o sobrenome, uma certa ligação com a Itália de tantos e tão inspirados compositores e músicos.

Aos sete anos, foi morar com seus pais em Nova York, onde viveu até o ano de 1969, nascendo daí a ligação com o idioma que o fez, mais tarde, tornar-se professor de inglês. Antes de criar o grupo de punk-rock Aborto Elétrico, em 1978, já havia incluído o Russo ao nome, como homenagem – segundo sempre explicou – ao filósofo inglês Bertrand Russel, ao pintor francês Henri Rousseau e ao filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau.

Foi em 1982 que criou o grupo Legião Urbana, que só começou a se destacar no cenário artístico nacional a partir de 1984, quando fez o lançamento do disco que tinha o nome da banda, onde logo se transformaram em sucesso músicas de sua autoria, como Será, em parceria com Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, e Geração Coca-Cola. Seu primeiro sucesso musical, no entanto, foi Química, gravada pelos Paralamas do Sucesso. Em 1986 foi lançado o segundo LP do Legião Urbana, que consagrou Renato Russo definitivamente como um dos maiores compositores brasileiros. Quem não se lembra, até hoje, de sucessos marcantes, como Eduardo e Mônica, Tempo Perdido e Índios ? Poeta genial e polêmico, Renato foi mais adiante, no ano seguinte, causando intensa discussão em todo o Brasil com as músicas Que País é Este ? e Faroeste Caboclo, que chegaram a ter suas execuções proibidas em emissoras de rádio. Em 87, em parceria Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, obteve um sucesso estrondoso com Pais e Filhos e Meninos e Meninas.

A partir de 1994 começou propriamente a sua carreira solo, lançando o disco The Stonewal Celebration Concert, que destinou 50 por cento das suas vendagens para projetos da Ação da Cidadania Contra a Miséria e a Fome, tendo vendido 250 mil cópias. O LP seguinte, em 1995, seu segundo disco solo, Equilíbrio Distante, com músicas em italiano, vendeu cerca de um milhão de cópias, com destaque para as faixas La Solitudine e Strani Amori, que alcançaram estrondoso sucesso.

Já doente, sofrendo terrivelmente com uma broncopneumonia, sepicemia e infecção urinária – tudo decorrente da Aids que o matava aos poucos -, Renato Russo, após seis anos de intenso padecimento, faleceu no dia 11 de outubro de 1996, na mesma cidade do Rio de Janeiro onde nasceu, com apenas 36 anos de idade, deixando uma imensa legião de fâs chorando a sua ausência.

Ninguém, mais do que ele, recebeu tantas homenagens póstumas.

Melhor seria que estivesse aqui, entre nós, comemorando, feliz, seus 50 anos de vida.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O CONTO DO MÊS - OUTUBRO

O sonho que durou dez dias

Ao ver o amigo ao longe, na mesa do bar, tomando sua cervejinha, ao entardecer, teve um susto tremendo, mas logo sentiu que tinha que ir até lá, a fim de descobrir o que estava acontecendo.

- Alcebíades ? - perguntou baixinho, quase num sussurro.

- Que foi ? - retrucou o outro. Tá com problema na voz ? Fale alto, homem, e sente-se aqui. Tome um copinho de cerveja...

- Mas... é você mesmo ? - tornou a perguntar, botando a mão de leve no ombro do Alcebíades.

- Quem queria que fosse ? O Antônio Fagundes? Claro que sou eu, o velho Alce. Quer que mostre os documentos ? - debochou, segurando os ovos.

- Não pode ser. Você morreu. Eu fui ao seu velório, ao seu enterro. Vi que estava lá, no caixão, mortinho da silva !

- Ah, isso é outra história. Depois eu conto. Por enquanto, sente-se e tome um copo de cerveja. Relaxe. Fique frio.

Mesmo sem acreditar no que via e ouvia, o Justino começou a beber, sem tirar os olhos assustados do amigo.

- Foi bom te encontrar. Amanhã, estarei aqui com o Neves. Já marcamos. Mandei preparar uma fava daquelas...

- Você tá falando do Neves... o Oscar ?

- Dele mesmo. Que outro Neves conhecemos ?

- Mas o Oscar... o Oscar Neves também morreu !

- Garanto que explico tudo. Mas tu tens que prometer que aparecerás por aqui amanhã !

- Devo estar sonhando...

- Estaremos à tua espera, eu e o Neves. Não vá faltar !

Ao ouvir uma voz de mulher chamando pelo seu nome, acordou em sobressalto.

- Justino ! Seis horas. Levante-se, senão vai chegar atrasado ao trabalho !

- Graças a Deus estou em casa ! - exclamou aliviado, ao ouvir a voz de Letícia, sua esposa.

Durante alguns minutos, ficou sentado à beira da cama, com as mãos na cabeça, procurando entender o que acontecêra.

- Foi um sonho. Só podia ser um sonho. Tinha que ser...

Só para provocar risos, contou tudo o que sonhára à esposa e ao filho, Claúdio, durante o café da manhã.

- Quer dizer que nem depois de morto Alcebíades te deixa em paz, hein ? E o que é pior: carregando você pra bebedeira, como sempre fez !

- Não brinque, Letícia. Parecia real.

- Apesar de tudo, foi melhor encontrar o Alce do que o safado do Neves, aquele raparigueiro ! - alfinetou a mulher.

Durante todo o dia, na repartição pública onde trabalhava, o Justino não conseguiu tirar o sonho da cabeça.

À noite, estava vendo televisão, deitado no sofá da sala, quando adormeceu.

E lá estavam os dois, o Alcebíades e o Neves, no mesmo bar, acenando pra ele.

- Isso é que é homem de palavra ! Prometeu que vinha e veio mesmo ! - saudou o Alcebíades.

- Me dá um abraço, Justino ! - disse o Neves, com espalhafato, todo risonho. Fazia mais de um ano que a gente não se via !

- Claro - acrescentou Justino -, faz mais de um ano que você morreu.

- Ninguém morre, amigão. Ninguém morre. Lembra-se da Rosinha-Bunda-Grande ? - perguntou, já puxando uma mulher que estava afastada para perto dele. Pois olha a Rosinha aqui ! E continua boa e gostosa como sempre !

- A Rosinha... - esfregou os olhos o Justino, para ver melhor. Ela sofreu um acidente de carro. Nós choramos a sua morte !

- Como vê, a gente podia ter economizado aquelas lágrimas... A Rosinha tá aqui e com a bunda cada vez maior !

- A cerveja tá esquentando - lembrou o Alcebíades. Afinal, nós viemos aqui pra beber ou pra conversar ? - perguntou, repetindo a antiga publicidade da Antarctica.

Puxado pelos amigos, em meio à brincadeiras, Justino sentou-se à mesa, tomou um gole da cerveja geladinha e disse consigo mesmo:

- Preciso acordar. Não aguento mais esse sonho !

- Vamos erguer um brinde ao nosso reencontro ! - sugeriu o Alcebíades.

- Um brinde ao reencontro ! - exclamou o Neves, acrescentando: E um brinde ao Juca Safado e ao Pedro Teimoso, que estarão com a gente amanhã !

O tilintar do despertador quase fez o Justino pular da cama. Suado, ofegante, dirigiu-se à Letícia, que estava ali, ao seu lado, ainda com cara de sono:

- Sonhei de novo.

- De novo ? Com o Alcebíades ?

- Com o Alcebíades... O Neves... e...

- ...e quem mais ?

Lembrou-se que a mulher odiava a Rosinha, desde o dia em que a encontrou sentada no seu colo, lá no bar.

- Nada. Ninguém mais. Preciso procurar o Jório.

- Um psicólogo e psiquiatra. Acha que tá ficando doido ?

- Acho.

- Ao chegar ao consultório do doutor Jório, o Justino foi logo recebido pelo amigo de tantos anos.

- Notei que estava muito aflito ao telefone. Que houve ? Algum problema com a Letícia ?

- Não. O casamento, agora, vai muito bem.

- E qual é o problema ?

- Meu problema é o sonho.

- Sonho ? Que história é essa ?

- Há dois dias venho sonhando o mesmo sonho.

- O mesmo ?

- É como uma novela de TV. Surgem novos personagens, mas o cenário é sempre o mesmo: o Bar da Fava.

- Mas o Bar da Fava fechou, desde que o Benedito - o nêgo Bené - morreu. E isso já faz uns cinco anos. E como faz falta, hein ? A gente ficou sem ter um local para nossos encontros de fins de semana.

- E sabe quem estava lá no bar ? No primeiro dia, o Alcebíades. No segundo, o Neves e a Rosinha.

- Todos mortos.

- E pra amanhã, já anunciaram que estarão por lá o Juca Martins - aquele safado - e o Pedro Tavares - o teimosinho.

- Mortos também.

- Acha que estou ficando maluco ?

Pela primeira vez, desde que começára a atender o amigo, o doutor Jório ficou sério e falou como profissional:

- Quando chegamos aos cinquenta, sessenta anos, não temos como escapar das tristezas provocadas pelo falecimento de amigos. De vez em quando, lá se vai mais um. E o sub-consciente costuma nos pregar peças. Sendo o arquivo do cérebro, ele libera imagens de acordo com as provocações emocionais, aproveitando justamente o momento em que dormimos e estamos mais vulneráveis. A morte do Alce, que foi o último, deve ter provocado todos os sonhos. Mas não acredito que aconteça de novo. Pode dormir em paz. Agora, que você já conhece as causas, os efeitos deixarão de existir.

Só que não foi bem assim. No dia seguinte, Justino voltou a sonhar com o Alcebíades, o Neves, a Rosinha, o Juca Safado e o Pedro Teimoso, tendo entrado em cena, inclusive, um elemento inesperado - o próprio nêgo Bené, o dono do bar. Cada vez mais nervoso, sem saber o que fazer, resolveu dar um tempo pra ver se a coisa acabava. No nono encontro, todas as mesas do bar estavam ocupadas por velhos e queridos amigos, que tinham partido, deixando saudades. Esse último encontro, no entanto, foi diferente:

- A partir de amanhã - disse o Alcebíades, ao se despedir -, você ficará para sempre com a gente ! Ficará aqui... em nossa companhia... à espera dos amigos que virão !

Apavorado, voltou ao consultório.

- Não é brincadeira. Estou morrendo de medo. Você tem que me ajudar. Não quero mais dormir. Nunca mais.

Sendo médico, o amigo notou que algo sério estava se passando com Justino. Algo grave acontecêra ou estaria acontecendo com seu cérebro. Convenceu-o a fazer um eletroencefalograma. E marcou com ele um encontro em sua casa, à noite, onde tomariam alguns uísques, bateriam novos papos e procuraria descontrai-lo um pouco.

À noite, enquanto Letícia conversava com a mulher do doutor Jório, os dois amigos bebiam, contavam anedotas e relembravam histórias acontecidas ao longo de suas vidas. Lá pra meia-noite, o Justino, depois de não sei quantas doses de bebida, adormeceu no sofá.

- Olha só quem vem chegando, Neves... o Justino !

- Seja bem-vindo, amigão ! Pensei que não viesse mais !

- Reunimos a turma toda !

- Vamos lá, turma ! Um brinde !

Na hora de acordar o Justino, pois a Letícia estava morrendo de sono e queria ir embora, o doutor Jório empalideceu.

- O pulso... o coração...

- O que houve, Jório ? - perguntou Letícia.

- Ele... ele está morto ! - concluiu.

E a festa no Bar da Fava entrou pela madrugada.

Uma eterna madrugada, com certeza.



terça-feira, 5 de outubro de 2010

CRÔNICA DA SAUDADE - 06/10/2010

CAMPINA DE SEMPRE

Quando cheguei em Campina Grande, menino ainda, no final dos anos 40, deparei-me, de repente, com uma cidade bem diferente da cidade de hoje, mas que enchia-me os olhos e o coração com os encantos da sua simplicidade e com a alegria do seu povo, que ficaram para sempre dentro de mim.

Campina ainda era pequena... concentrava-se quase toda em volta da praça da Bandeira... nas ruas Marquês do Herval, Floriano Peixoto, Cardoso Vieira, Maciel Pinheiro e, principalmente, na João Pessoa, onde o comércio já indicava a vocação do seu povo... pois a antiga Vila Nova da Rainha já abrigava as multidões de forasteiros que chegavam em busca de novos caminhos... mas não abandonava o seu trono... não perdia a majestade.

Sou do tempo da Usina de Luz, logo ali, em frente da casa dos meus avós, na Clementino Procópio, que fornecia energia elétrica à cidade, até às 10 horas da noite... Sou do tempo do Edifício Esial... da Voz de Campina Grande, com José Jataí...do Beco do 3l... da Sorveteria Florida... das mil e uma lembranças de uma adolescência feliz... Sou do tempo das primeiras emissoras de rádio... da Borborema, principalmente... dos seus programas de auditório... dos grandes shows com famosos artistas do sul do país... de tudo, enfim, que fez parte de uma época que jamais será esquecida por quem a viveu.

A Campina que guardo na memória e que faz parte de minha vida é uma cidade em constante transformação. Como num filme, ela é uma seqüência de quadros que se alternam ao longo dos anos, conquistando-nos em cada uma das fases que marcaram a sua história, até faze-la grande como o seu nome, tornando-a uma das cidades mais progressistas de todo o interior nordestino.

Na próxima segunda-feira, dia 11, Campina estará comemorando seus 148 anos de fundação, recebendo, com certeza, as maiores e mais sinceras homenagens de todos aqueles que aprenderam, ao longo da vida, a amar e a respeitar a cidade do seu coração.

Bonita como sempre, cada vez mais alegre e fascinante, Campina se prepara para receber a todos quantos a admiram e que irão participar, sem dúvida, das festividades que serão realizadas no Parque do Povo, cantando, junto com todos os campinenses, um parabéns pra você que se renova, a cada ano, com muito mais alegria e emoção.

Mais do que nunca, a cidade merece o nosso amor.

Campina, para todos nós, é a mulher dos nossos sonhos: cada vez mais presente em nossas vidas, ajudando a construir os destinos da gente.

Campina, para os paraibanos que a conhecem como eu, é como Roma para o resto do mundo: bela e divina... sagrada e eterna.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A CRÔNICA DO DIA – 30/09/2010


O VOTO DO POVO

No próximo domingo, em todo o Brasil, o povo brasileiro irá às urnas, dando o seu voto aos candidatos que, após longa escolha (ou na base do seja lá o que Deus quiser, como a maioria faz), resolveu entregar aos escolhidos os destinos (e mais do que isso: as verbas públicas) das nossas cidades, dos nossos estados e, mais do que tudo, o destino do nosso país, como um todo. Isso prá não falar da autorização que estará sendo dada a cada um dos deputados estaduais e federais, assim como aos senadores, para que possam legislar em nome do povo, o que só irá acontecer, como a gente bem sabe, nos raros momentos em que não estiverem legislando em causa própria.

Muitas são as reformas que precisam ser feitas em muitas das nossas leis, aparentemente criadas para enganar o povo, beneficiando apenas os que estão ocupando os principais cargos do executivo e do legislativo, mas que acabam, por tabela, por beneficiar, também, o judiciário, fechando o firo em volta da gente.

Os políticos se aproveitam de algumas benesses existentes na lei eleitoral, por exemplo, para eleger aqueles nomes que são do seu interesse e que jamais seriam eleitos se contassem única e exclusivamente com o voto de cada eleitor. Embora algo semelhante ocorra em todo o Brasil, vamos citar, como exemplo, o caso do palhaço Tiririca, lá em São Paulo, que, com suas gracinhas (“Vote em Tiririca, pois pior não fica”), já aparece nas pesquisas como o mais votado, abocanhando mais de 900 mil votos para Deputado Federal. O que vai ocorrer ? Tiririca vai ser eleito, pouco irá fazer na Câmara Federal (lembram-se do Clodovil ?) e, com seus votos, levará consigo mais três aloprados do seu partido ou da sua Coligação, já que a votação em excesso (em São Paulo, acima de 200 mil) será utilizada, conforme determina a lei, em benefício dos candidatos da legenda ou coligados. No caso específico de Tiririca, do PR, lá estarão três beneficiados, todo eles ligados ao famoso Mensalão de triste memória.

Quer dizer: o povo vota num engraçadinho e quem ri por último são os que fizeram a gente chorar de vergonha.

Outra aberração eleitoral: o eleitor não pode ser preso às vésperas da eleição, a não ser em flagrante delito. Agora mesmo, tá na TV: o sujeito, lá no Rio, matou a esposa com seis tiros diante da filha de 10 anos. A menina avisou a polícia. O homem fugiu e não pode ser preso.

É por tudo isso que a gente precisa votar, de acordo com a nossa consciência: o que é melhor para o Brasil... para o futuro da nossa gente ?

Este deve ser o nosso voto.

sábado, 25 de setembro de 2010

CRÔNICA DA SAUDADE - 25/09/10


UMA RÁDIO INESQUECÍVEL

A segunda metade do século XX foi determinante na história do rádio, tornando este veículo de comunicação, dos anos 40 aos anos 60, na mais poderosa força política e social do país, dominando, de maneira categórica e decisiva, durante muito tempo, a opinião pública brasileira.

A Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, foi, por muito tempo – especialmente nos anos 50 – um verdadeiro ícone do meio de comunicação perfeito, chegando com rapidez e interatividade, a milhões de ouvintes espalhados por todo o imenso território brasileiro, criando ídolos e modismos, fomentando idéias e alicerçando dogmas, como ocorre, hoje, com as redes de televisão.

Assim como aprendemos a ouvir as vozes famosas de Heron Domingues (com seu Repórter Esso), de César Ladeira e suas crônicas românticas, de Júlio Lousada (e sua Oração da Ave Maria), de César de Alencar (com seus programas dominicais), de Ary Barroso (com seus calouros na “Hora do Pato”), de Paulo Gracindo e de Carlos Frias, aprendemos, também, a aplaudir os artistas que a emissora costumava divulgar, como Francisco Alves, o Rei da Voz; Orlando Silva, o cantor das multidões (com seu programa semanal, ao meio-dia), Emilinha Borba e Marlene (com seus atuantes fãs-clubes) e tantos outros nomes famosos que a Nacional incluiu no dia-a-dia do nosso povo, de norte a sul do país, através de uma audiência jamais superada.

Como o rádio não conseguiu se organizar em redes, as grandes emissoras, isoladas, foram, aos poucos, perdendo o prestígio que, ao longo dos anos, haviam conquistado em todo o país. Ano após ano, as emissoras do Rio e São Paulo, como a Nacional – principalmente -, a Tupi, a Tamoio, a Record, a Jornal do Brasil e tantos outras,foram desaparecendo de nossas vidas, pois já não eram sintonizadas além dos seus estados.

Mas o nome da Rádio Nacional... dos seus artistas... dos seus locutores... dos seus astros e estrelas famosos... dos seus programas que fizeram época... tudo isso ficou para sempre na lembrança dos que viveram o apogeu da maior emissora de rádio do Brasil.

Tudo isso me vem à lembrança, quando li, num jornal do Rio, logo no início do Governo Lula, que os funcionários da Rádio Nacional lamentavam a decisão da Presidência de desativar a emissora, agora de forma definitiva, e encerrar suas atividades.

Em termos de memória, foi mais uma tragédia nacional.

O Brasil que votou em Lula não merecia mais esta.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

CRÔNICA DA SAUDADE - 16/09/10


MANTOVANI E SUA MÚSICA

Acredito que existam outras pessoas que amaram, como eu, durante toda a vida, a música e a obra do grande maestro Mantovani, assim como é possível que muitos, dentre os quais me incluo, jamais tenham se interessado, nem por um momento, em saber, pelo menos, como era o nome completo daquele homem que trouxera todo o encanto das grandes orquestras – especialmente das orquestras de cordas – para as nossas horas de paz e lazer.

Nascido em Veneza, na Itália, no dia 15 de novembro de 1905, Annunzio Paolo Mantovani era filho de um professor de música de dois conservatórios italianos, que tocou sob a batuta de Massagni e Toscanini e que, por serviços prestados ao governo, foi feito Cavalheiro pelo Rei de Portugal. Quando se encontrava na Inglaterra, em 1912, com uma companhia lírica italiana, teve início a primeira guerra mundial e seu pai, impossibilitado de retornar à pátria, teve que se fixar em Londres com a família, quando Mantovani tinha apenas 7 anos. Mantovani, aos 14 anos, já iniciava os seus estudos de violino e, dois anos mais tarde, já era um músico profissional. Embora seus programas de rádio tenham começado com o seu quinteto, foi com a Típica Orquestra, formada em 1930, que o nome de Mantovani se tornou famoso.

Até os anos 70, eu e muitos outros da minha geração, crescemos, certamente, ouvindo a música de Mantovani, que nos educava o espírito e nos fazia sentir o verdadeiro fascínio da música orquestrada, especialmente aquelas que chegavam aos nossos ouvidos junto com as imagens de um filme que jamais seria esquecido.

Como esquecer os acordes marcantes das músicas que se tornaram famosas em todo o mundo, graças à performance de Mantovani e sua orquestra ? Como esquecer A Lenda da Montanha de Cristal ? E o Tema de Lara, do imortal Dr. Jivago ? E as músicas que marcaram Goldfinger, do 007; toda a imponência de Bem Hur; todo o encanto de Lawrence da Arábia; e as lembranças que ficaram com Zorba, o grego ? Como vamos lembrar o filme Nunca aos Domingos sem a música de Mantovani ? E a trilha inesquecível de Se Meu Apartamento Falasse ? E aquele Moon River que não nos sai da lembrança, tema do filme Bonequinha de Luxo ?

Tudo isso me veio à memória quando resolvi, depois de tantos anos, conhecer mais de perto o maestro que sempre fez parte dos meus sonhos musicais, pois foi sòmente hoje, depois de tanto vibrar com a música de Mantovani, é que fui apresentado ao cidadão Annunzio Paulo Mantovani, que deixou a batuta, desta grande orquestra que é a vida, no dia 29 de março de 1980, quando veio a falecer.

O Mantovani da orquestra... o maestro... o que fez história dando vida às mais belas páginas da música popular universal... este, sem dúvida, vai ficar para a eternidade, recebendo sempre os aplausos do seu grande público.