terça-feira, 9 de abril de 2013

CRÔNICA DA SAUDADE - 09/04/2013

                             
                                                                   

                                            AS AVENTURAS DO FLAMA

           No início dos anos sessenta, como Diretor Artístico da antiga Rádio Borborema de Campina Grande, tinha, dentre outras responsabilidades que o cargo exigia, o cuidado de manter a programação da emissora dentro de um determinado nível de audiência, que era o que determinava, sem dúvida, o sucesso das suas grandes promoções em todas as áreas, envolvendo jornalismo, futebol, show artístico e novela radiofônica.
              Em se tratando de audiência, as novelas das quatro (no “Vesperal das Moças”) e das oito (no chamado horário nobre) davam um verdadeiro show, com quase a totalidade dos ouvintes da região em sintonia com a famosa ZYO-7.
              Numa das pesquisas realizadas, à época, a Rádio Jornal do Comércio do Recife, com suas ondas curtas e médias (“Pernambuco falando para o mundo”), apareceu com um excelente nível de audiência, graças a um novo seriado radiofônico, produzido no Rio, denominado “Jerônimo, o Heroi do Sertão”, e que estava sendo transmitido naquele horário.
          Para recuperar a audiência do horário, não existia outra saída: os primeiros capítulos de “As Aventuras do Flama” logo foram escritos, começaram a ser ensaiados e, em pouco tempo, foram levados ao ar, de segunda à sexta-feira, às 13.00 horas, alcançando, inesperadamente, um sucesso sem precedentes em toda a cidade.
                Aquela atração, no entanto, lançada, assim, tão de repente, transformou-se, da noite para o dia, num estrondoso show de audiência, não se falando em outra coisa em toda parte, senão nas aventuras do Flama (cujo personagem era vivido por mim mesmo) e de toda a sua turma, envolvendo o seu inseparável amigo Zico (interpretado por Benjamim Bley), a sua noiva Eliana (Edileusa Siqueira), o engraçado Bolão (Valmir Chaves), o comissário Laurence (Ezequias Bernardo) e toda uma terrível e ameaçadora corja de super-vilões.
             O sucesso do herói era tão grande, à época, que foi criado o “Clube do Agente Secreto do Flama”, com a distribuição de milhares de carteirinhas, que identificavam cada um dos agentes, facilitando o seu acesso gratuito ao auditório da Rádio Borborema, aos sábados, à tarde, quando eram realizadas as famosas reuniões, com a participação de todo o elenco e farta distribuição de brindes com os presentes.
                   Como a editora Globo, à época, resolveu publicar a revista “Jerônimo, o Heroi do Sertão”, em quadrinhos, resolvi não dar por menos e comecei a desenhar uma revista similar, com novas aventuras do Flama, cujos clichês foram confeccionados no Diário da Borborema, jornal da mesma empresa, tendo a impressão sido feita na Gráfica Júlio Costa, instalada num prédio vizinho.
                    Imaginem a alegria e o entusiasmo da garotada, que ouviam, diariamente, as aventuras do seu herói, tendo, agora, às mãos, uma revista em quadrinhos, com desenhos e comentários sobre tudo o que acontecia no seriado radiofônico !
                E foi assim,  “sem querer, querendo”, que “As Aventuras do Flama” se transformaram no primeiro seriado radiofônico da Paraíba e o gibi do herói passou prá história da nossa imprensa como a primeira revista-em-quadrinhos publicada no norte e nordeste do Brasil.
                 Tudo aquilo que se faz com amor e emoção tem tudo para se perpetuar em nossas vidas, marcando momentos e definindo caminhos.
                     
                        Clique e ouça um episódio do Flama: 

                       http://manneh.podomatic.com/entry/2010-08-07T16_30_03-07_00


sexta-feira, 5 de abril de 2013

CRÔNICA DA SAUDADE - 05/04/2013


                                                                         


                                           O ADEUS DE PAVAROTTI

                    Existem vozes humanas que marcaram uma época, como já aconteceu com inúmeras outras que ficaram para sempre em nossas vidas, a maioria delas presentes na música erudita, que é o caminho natural dos grandes intérpretes de todos os tempos, como é o caso de Luciano Pavarotti, que foi o tenor dominante na segunda metade do século XX.
                      Nascido em Módena, na Itália, no dia 12 de outubro de 1935, Luciano continuava continuava cantando como nunca, após mais de sessenta anos de vida, interpretando, melhor que ninguém, as grandes páginas da musica universal, como La Bohéme, de Verdi, Tosca, de Puccini e tantas outras, além das belas e incomparáveis canções napolitanas que só ele conseguia leva-las ao extremo da mais completa fascinação.
                  Foi no dia 29 de abril de 1961 que o nosso mais completo tenor se apresentou no Teatro Massimo, de Palermo, num concerto tão memorável que lhe abriu as portas para suas primeiras aparições internacionais, como em Amsterdam, Viena, Zurich e Londres, em 1963. Foi com a ópera La Bohéme, de Verdi, a mesma tantas vezes apresentada no Teatro Scala, de Milão, que Luciano mostrou todo o seu poder de interpretação em San Francisco e Nova York, nos Estados Unidos, conquistando o coração de milhares de admiradores americanos e, a partir daí, em quase todos os países do mundo, inclusive no Brasil.
                    Em 1968, veio a consagração, dando vida ao Rodolfo, da ópera La Bohéme, no Metropolitan Ópera House, de Nova York, convertendo-se, a partir daí, no mais conhecido e aplaudido tenor, desde Caruso.
                      Juntamente com os amigos José Carreras e Plácido Domingos, outros excelentes tenores, Luciano realizou grandiosos concertos em Roma, no ano de 1991, e em Los Angeles, em 1994 .
                 No auge da fama, ele surpreendeu aos seus milhões de admiradores em todo mundo, anun-ciando, durante sua interpretação da Tosca, no dia 27 de março de 2004, no Metropolitan House, de Nova York, que aquela seria a sua última apresentação em público e que deixaria de cantar definitivamente no dia 12 de outubro de 2005, ao comemorar os seus 70 anos de vida, como realmente aconteceu.
                 -        De todos os palcos, tinha que ser neste: chegou a hora – disse o tenor, com uma certa tristeza naquela voz que tanto empolgou multidões em todo o mundo.
                As milhares de pessoas presentes ficaram em silêncio, ali, na platéia, por muito tempo, como se a música tivesse deixado de existir.
                 No dia 6 de setembro de 2007, ele morreu em sua casa, em Módena, devido a um câncer no pâncreas, aos 71 anos. 
                   A partir daí, só restou a saudade, realmente, para todos nós, através da sua voz, eternizada nas muitas gravações que fazem reacender as lembranças que passaram a morar para sempre em nossos corações.

                                  http://www.youtube.com/watch?v=m1TxwmS2ED4

segunda-feira, 18 de março de 2013

CRÔNICA DA SAUDADE - 18/03/2013



PARABÉNS, RONALDO


          Este é o primeiro 18 de março que deixo de comemorar, como era de pra-xe, com um aperto de mão e um abraço (quando era possível), ou mantendo contato com o aniversariante de algum modo (telegrama, telefone, internet, etc.), já que, pela primeira vez, o nosso Ronaldo Cunha Lima não está presente neste mundo e só mesmo a saudade é que faz com que sintamos sua presença ao nosso lado.
           Normalmente, mesmo nos dois últimos anos, quando a doença o obrigou a isolar-se dos amigos, sempre encontrei um jeito de ouvir a sua voz, mesmo que fosse através de um telefone, contanto que pudesse desejar os parabéns por mais uma etapa vencida nesta caminhada, que ele, melhor que ninguém, soube realizar, alcançando um sucesso a cada passo.
               Proibido de ingerir bebida alcoólica, dizia:
                - Obrigado pela lembrança e tome uma por mim, que eu mereço !
          Ronaldo Cunha Lima sempre participou, ao longo da sua existência, de fátos marcantes que determinaram o rumo da sua vida, passando a ser, por conta disso, uma figura verdadeiramente inesquecível.
            Quem pode esquecer, por exemplo, tendo acompanhado a sua trojetória de vida, a sua participação, em 1988, no programa Sem Limite da Rede Manchete, sobre o seu ídolo, o poeta Augusto dos Anjos, de onde se saiu vitorioso, respondendo as perguntas em versos e recebendo os aplausos de toda a Paraíba ? E como não se lembrar da cassação dos seus direitos políticos em plena revolução militar, afastando-o do cargo de prefeito de Campina Grande, que acabára de conquistar através do voto popular ? E quem pode não lembrar – e deixar de aplaudir – a sua volta triunfal, dez anos depois, para candidatar-se a prefeito de Campina e, mais uma vez, receber todo o apoio da população, elegendo-se, mais uma vez, para o cargo, onde realizou excelente administração ? E as conquistas políticas que vieram depois, como esquecê-las ? Ronaldo deputado estadual por duas vezes... Governador do nosso estado....senador da República.... como não lembrar cada um dos seus mandatos – todos eles voltados para um trabalho firme e decisivo em favor da sua terra ?
                   Em 1999, o AVC....o acidente vascular cerebral que afetou um lado do seu corpo, deixando-o numa cadeira de rodas e com dificuldades da se expressar. Mas quem foi que disse que o poeta ficaria quieto ? Melhor do que nunca, lá estava ele – amigo como sempre e mais inteligente ainda na construção dos seus poemas -, publicando livros que já fazem parte da nossa literatura e mostrando, mesmo nas bata-lhas políticas envolvendo Cássio, seu filho, que jamais ficaria fora de uma boa lúta enquanto vivesse !
                    Por tudo o que foi... por tudo o que fez... pelo muito que trabalhou em favor da Paraíba e do seu povo.... Ronaldo jamais será esquecido.
                   No dia de hoje, os mais velhos imaginam-se numa mesa da Flórida, lá em Campina, com o garçon se dirigindo ao homenageado:
                      - Parabéns, dr. Ronaldo. Quantos pingados ?
                    E a farra se estendia até de madrugada, anunciando uma vida cheia de lú-tas que estava apenas começando.
                     Onde estiver... aquele sorriso.
                      Parabéns... hoje e sempre.

                     Posse
 
                     Pai
                     https://soundcloud.com/mike-deodato/ronaldo-cunha-lima-conversando 
                                                                          
                           

terça-feira, 5 de março de 2013

A CRÔNICA DO DIA - 05/03/2013



MAIS UMA TRAGÉDIA
 

             No último sábado, cerca de 300 torcedores corintianos partici-param de um protesto em São Paulo, pedindo aos gritos, em frente ao consulado boliviano, que fica na avenida Paulista, a libertação dos 12 jovens que se encontram detidos na cidade de Oruro, na Bolívia, em razão da morte de Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, atingido por um sinalizador disparado durante o jogo entre San José e Corintians, pela Copa Libertadores da América, no Estádio Jesús Bermudez.
           Um dia antes, um adolescente de 17 anos, que se diz torcedor do Corintians, apresentou-se à Justiça, em Guarulhos (grande São Paulo), assumindo a culpa pela tragédia de Oruro, afirmando ter disparado o sinalizador que matou o jovem boliviano durante o jogo, mas as autoridades do Brasil e da Bolívia desconfiam que a ação possa ser uma manobra da torcida Gaviões da Fiel para inocentar um adulto.
          Enquanto a Conmebol pune o Cortintians, obrigando-o a realizar seus jogos pela Sul-Americana com os portões fechados (como aconteceu no Pacaembú, na semana passada), a família de Kevin diz que o time brasileiro é o culpado e critica a nossa embaixada por solicitar a soltura dos presos.
          Prá que a gente não fique chovendo no molhado, repetindo o que todo brasileiro já viu e ouviu nos jornais e na TV, vamos nos fixar num só ponto: num caso desses, quando duas torcidas se degladiam num estádio de futebol e um jovem torcedor é morto, atingido por um sinalizador, de quem é a culpa ?
           Ante a tragédia já consumada, o observador, ainda em estado de choque e, de modo especial, se for torcedor de outro time do futebol paulistano, haverá de apontar o Corintians como culpado, já que o clube não soube controlar as suas torcidas num jogo importante como aquele, realizado no exterior, ou os torcedores, que não souberam se comportar no estádio, mostrando que estavam ali unicamente para torcer e apoiar o seu clube em mais uma vitória... e nada mais.
           Só que os verdadeiros culpados estão bem ali, diante dos nossos olhos, e não aparece ninguém para aponta-los.
         Como no caso da buate Kiss, lá em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, quando um sinalizador, usado por um membro da banda Gurizada, provocou um incêndio no local, ceifando as vidas de 240 pessoas, especialmente jovens, que ali estavam participando de uma formatura universitária, o caso do sinalizador usado por um torcedor corintiano e que atingiu o boliviano da torcida do São José, envolve, sem dúvida, um mesmo culpado, e os brasileiros, que pretendem evitar novas tragédias, não podem deixar de coloca-lo no banco dos réus.
             São dois os culpados: os poderes legislativo e executivo deste nosso Brasil.
            Se antes que tivessem ocorrido as duas tragédias, os nossos legisladores, tanto da Câmara Federal como do Senado, tivessem criado novas leis, proibindo terminantemente o uso de sinaleiros e outros tipos de fogos de artifício em locais onde costumam se aglomerar multidões, como é o caso de ginásios e estádios de futebol, exigindo, para seu cumprimento, uma fiscalização permanente por parte de órgãos governamentais, está claro que os dois lamentáveis acontecimentos, com certeza, não teriam acontecido.

             Resta ao nosso povo, agora, além de lamentar os trístes fatos que tanto nos fizeram sofrer, realizar
manifestações públicas, exigindo, dos políticos que foram eleitos com seus votos, que preparem e aprovem as novas leis que garantirão, doravante, mais segurança nos estádios (ou onde quer que se encontrem abrigadas as multidões), impedindo, de uma vez por todas, que jovens inexperientes continuem utilizando materiais festivos que possam provocar tragédias. 
             Criadas as leis, restará, aos governos, fazer com que sejam respeitadas e cumpridas. 
           Que venha, finalmente, para o nosso povo, que tanto adora torcer pelas cores dos seus clubes de futebol, um novo tempo de comemoração, dentro da paz e da ordem, causando apenas alegria e entusiasmo à todas as torcidas.                      
              Vamos torcer prá que esse novo tempo seja possível.

                                                                    

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

CRÔNICA DA SAUDADE - 06/02/2013



GUERRA E PAZ


                                                                           

          Nascido numa fazenda de café perto da cidade de Brodowsky, em São Paulo, no dia 30 de dezembro de 1903, Candido Portinari, filho de um casal de imigrantes italianos, seria um dos mais importantes pintores brasileiros de todos os tempos.

               Na pequena Brodowsky, Portinari freqüentou a escola, mas não foi além do terceiro ano do curso primário. Só que nele já pulsava a vocação artística. Como desenhista, passou a trabalhar como ajudante de um grupo de pintores e escultores italianos itinerantes que viviam de decorar igrejas em cidades do interior.

              Mudando-se para o Rio, Portinari logo se matriculou como aluno livre na Escola Nacional de Belas Artes. Aos 26 anos, em 1929, fez sua primeira exposição individual, com 25 retratos, no Palace Hotel  do Rio, viajando, neste mesmo ano, para Paris, com uma bolsa de estudos, onde permaneceria até janeiro de 1931, quando retornou ao Brasil já casado com Maria Vitória Martinelli, jovem uruguaia de 19 anos, que seria sua companheira da vida toda e com quem teve seu único filho, João Cândido.

              Com apenas um metro e cinqüenta e quatro centímetros de altura – prova mais que cabal que a genialidade de um homem não se mede pelo seu tamanho -, Portinari, com sua primeira mostra nos Estados Unidos, ganhou o prêmio Carnegie, em 1935, dando início a mais bem sucedida carreira de um pintor brasileiro com projeção internacional. Logo em seguida, vieram três grandes painéis para a Feira Mundial de Nova York, em 1939; sua exposição individual no Museu de Arte Moderna de Nova York, em 1940; os quatro painéis para a Biblioteca do Congresso, em Washington; a publicação do primeiro livro sobre sua obra, em 1941, pela Universidade de Chicago;  a grande repercussão da sua exposição na Galerie Charpentier, em Paris, em 1946; a exposição itinerante, em Israel, em 1956, e, finalmente, seus monumentais painéis Guerra e Paz, para a sede da ONU, em Nova York, que o tornaram mundialmente conhecido.

                 Foi no  dia 6 de fevereiro de l962, como esse que passou, há mais de meio século, portanto, que Portinari morreu, aos 58 anos, intoxicado pelas próprias tintas que davam vida às suas obras geniais, como se as cores tivessem resolvido pintar a sua alma, tendo, como objetivo, destaca-la, doravante, pelos caminhos sem fim da eternidade.

                Cândido Portinari, o menino de Brodowsky, ficou em nossas vidas, pintando coisas e pessoas, deixando mais de cinco mil pinturas, cada uma delas com uma mensagem oculta para a humanidade.

               No Guerra e Paz, lá na ONU, faltou alguém que explicasse aos presidentes americanos, de ontem e de hoje, a mensagem que o painel contém, retratando um mundo sem conflitos, possivelmente com os americanos bem longe do Iraque.

                     http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&v=Mzr-u_x84sc&NR=1

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A CRÔNICA DO DIA - 07/02/2013



O NÚMERO 13          


                            Foi Zagalo, quando ainda jogava futebol, que acabou, de uma vez por todas, com a minha antiga aversão ao número 13 (já que, desde a mais tenra ida-de, sempre ouvira falar que era um símbolo de azar), quando, numa entrevista à uma emissora de rádio, declarou, em alto e bom som:
                                 - O 13 sempre foi meu número da sorte e, por conta disso, nunca deixei de exigir, dos clubes por onde passei, como parte do meu contrato, que ele estivesse impresso na camisa, às minhas costas, não importando a posição em que jogasse.                                       
                                   Toda sexta-feira, 13, no entanto, especialmente no mês de agosto – o conhecido dia do azar -, por mais que a gente saiba que é apenas mais uma data, como outra qualquer, no calendário, sempre deixa muita gente arredia, evitando fazer coisas que normalmente faz, a fim de não dar chances aos espíritos do mal.
                             Embora a fanática torcida do Treze Futebol Clube, lá de Campina,sempre esteja a postos para encher os estádios e levar a sua querida agremiação à grandes vitorias, ainda existe muito torcedor que, quando o time, jogando mal, perde uma partida, fica em dúvida quanto ao nome do velho Galo da Borborema.
                                 Foi o que se deu, com certeza, com muita gente, em todo o mun-do, quando começou o novo ano que, agora, já estamos vivendo: 2013.
                                O povo brasileiro, alegre e saltitante, (e lá estou eu no meio) não estava nem aí pro 13 em destaque no ano que se iniciava.
                                  - 13 é coisa boa: foi no dia 13 de maio que a nossa Princesa aboliu a escravatura no Brasil !
                                 Logo no primeiro mês do ano (quando ainda brindava as oito décadas bem vividas, completadas no dia 20), eis que um acontecimento terrível (pois jamais ocorrêra algo sequer parecido em nosso país) começou a nos encher de dúvidas quanto à sorte ou o azar do citado número.
                                  Na madrugada do dia 27, a notícia de um incêndio na Buate Kiss, na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, quando morreram (até o momento), asfixiados ou queimados, 238 pessoas (a maioria, jovens), já que cerca de mil pessoas comemoravam, com uma grande festa, a realização de um dos sonhos da juventude que é a formatura, deixou o povo brasileiro bastante tríste e abalado com a dimensão da tragédia, nunca antes ocorrida em nosso país.
                                Santa Maria é uma cidade com menos de 300 mil habitantes, mas que realiza, com suas sete universidades, costumeiras e divertidas festas de formatura, envolvendo os vários cursos lecionados em cada uma delas.
                        Foi uma tragédia terrível e, levando-se em conta os envolvidos e as razões festivas do evento, sem similar, devido ao número de mortos e feridos, em todo o mundo.
                            Ainda sob o impacto do trágico acontecimento, já que se seguiram as tristes declarações dos parentes das vítimas, as tumultuadas providências das autoridades para encontrar e punir culpados, assim como a certeza de que tudo vai continuar do mesmo jeito se medidas realmente definitivas não forem tomadas para impedir que tais fatos se repitam, o povo brasileiro começa a enxugar as lágrimas e a libertar o coração pro canaval que se aproxima.
                        Com as folias de rua já tomando conta do pedaço, o brasileiro mal tem tempo prá raciocinarsobre coisas de somenos importância, como as eleições da Câmara Federal e do Senado da República que, pela primeira vez, perigosamente, com Henrique Eduardo Alves e Renan Calheiros, as duas casas ficaram, como há muito tempo não acontecia, nas mãos e sob a égide de um só partido: o PMDB – o que quer dizer, sob as ordens do Governo Federal.
                             Comparando-se as duas tragédias (já que o povo brasileiro bem conhece a ficha dos dois políticos que acabam de assumir os respectivos cargos), a hecatombe continua, só que, agora, na buate do Congresso Nacional, podendo atingir, desta vez, no entanto, não só aos jovens, mas ao povo do nosso país, como um todo, num incêndio que bombeiro algum vai ter condição de apagar.
                            Onde estão os partidos de oposição ? Será que todos eles votaram também com o PMDB ?
                                  Aliás, se existe uma eleição onde o voto secreto não deveria entrar, esta é uma delas: bom mesmo é que, no final da votação, o povo brasileiro pudesse saber a quem foi que cada deputado ou senador deu o seu voto.
                                   Mas isso é pedir demais.
                                   O 13 deste ano, por conseguinte, continua na balança.
                                 Vamos torcer prá que tudo possa dar certo e a balança passe a pender pro lado da nossa gente.
                                     Trazendo muita sorte, como sempre aconteceu com o velho Zagalo.
                                                                    

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A CRÔNICA DO DIA - 20/01/2010



DE REPENTE... 80.




           Num dia desses (num domingo ou feriado, com certeza), sem ter nada prá fazer, assisti, em companhia da minha esposa, um filme escolhido à êsmo: DE REPENTE 30, com Christa Allen no papel principal.
            Pensem numa comédia prá lá de divertida, mostrando a história da adolescente JennaRink, de 13 anos, que não era levada a sério por ninguém, e que, ao comemorar o seu aniversário, com a participação de toda a meninada da vizinhança, trancou-se num armário em determinado momento, como parte de uma brincadeira, e lá ficou esquecidapelos presentes. Foi ai que, triste e revoltada com sua insignificância, fez um pedido: virar adulta, de repente, para ter a vida com que sempre sonhou. No dia seguinte, ao despertar, ela se vê, milagro-samente, com 30 anos de idade, no ano de 2004 – 17 anos depois.
             É como me sinto hoje, no dia de mais um aniversário natalício, comas imagens das muitas etapas da minha vida sendo repassadas na memória, como se fosse um filme nem sempre divertido, mas gostoso de ser vivido, na maioria das suas etapas, com grande parte das suas cenas desenvolvidas nas horas exatas e com as pessoas certas.                             
            Vejo-me menino ainda, no início dos anos 40, ora na casa onde nasci, no antigo Ponto de Cém Reis, vizinho ao velho cinema Plaza, onde assistia às divertidas matinais dominicais, que exibiam desenhos animados e seriados, ora na casa da praia, em Ponta-de-Mato, pertinho de Cabedelo, onde meu pai trabalhava, como fiscal da Texaco.
              Recordo-me do sítio da minha avó, em Cruz das Armas, em frente ao quartel do 15 R.I., onde a minha infância realmente floresceu, em contato com a natureza e com muitos animais, tomando leite ao pé-da-vaca e correndo entre as árvores, observando a revoada dos passarinhos e tudo o mais.
              Não esqueço as traquinagens, ao voltar da escola, junto com os coleguinhas, pegando morcego nos bondes, o que significava driblar o motorneiro e o cobrador, fazendo a viagem até em casa sem pagar um tostão sequer.
             O que não se pode esquecer, também, naquela época, eram as costumeiras viagens de trem até à cidade de Pilar, onde a minha avó, mãe de meu pai, Josefa de Lima Borges (Fifinha para o neto), costumava permanecer por algum tempo, curtindo a tranquilidade do lugar, enquanto o netinho aprendia a ler e escrever, fazia as primeiras amizades e ajudava o padre a realizar as missas dominicais na igreja local.
                  - Fifinha, por que Deodato ?
                  - Porque seu avô, antes de morrer, quis assim: o meu neto vai ter o meu nome por inteiro, sem tirar nem pôr.
                   Pouco conheci o meu avô paterno, que morreu quando eu ainda era pequeno.
               Todos os dias, especialmente aos domingos, não deixava de curtir a imagem do meu pai, sem camisa, mostrando a musculatura bastante cultivada, que ele não se cansava de exibir. Até que, numa certa manhã, ao acordar, não me deparei com a imagem paterna. Na inocência dos meus dez anos, notando que a minha mãe, aflita, chorava, quis saber: “Onde está o meu pai ?
                  Só aos poucos (e com bastante cuidado para não me causar aflição, já que a dor seria inevitável), dona Nair, a minha mãe, e dona Zefinha, a minha avó, conseguiram, com muito jeito, fazer com que eu entendesse que meu pai, José Taumaturgo Borges, havia falecido, ali próximo, no Hospital de Pronto-Socorro, onde se internára, de madrugada, passando mal, devido, provavelmente, a um tumor maligno na próstata.
                  Como os familiares de minha mãe residiam todos, inclusive seus pais, “seu” Amaro e dona Honorina (Pai Dindinho e Mãe Dindinha para os netos), em Campina Grande, não restou outra alternativa à jovem viúva senão retornar à sua terra, 
                  E foi assim que, no dia 2 de setembro de 1945, tendo, em cada uma das suas mãos um dos seus dois filhos (eu e meu irmão, Airton), dona Nair retornou à Campina num clima festivo, com o povo nas ruas comemorando, alegremente, (essa cena eu não esqueço jámais) o fim da segunda guerra mundial, que tantos males causou ao mundo em que vivemos.
                  Como a residência dos meus avós ficava no centro, logo ali na Praça Clementino Procópio, pertinho da Usina de Luz, que gerava energia elétrica para a cidade, minha mãe alugou uma casa nas proximidades, na rua 4 de outubro.
                  Aos domingos, dona Nair e os filhos participavam das reuniões festivas na casa dos pais, onde lá se encontrava, em ritmo de alegria, com as suas irmãs Hilda, Maria, Judite, Guiomar, Letícia e Edite e com seus irmãos Heitor, José, Reinaldo, Aguinaldo, Mário e Dário, a fora cunhados e cunhadas e, é claro, dezenas de sobrinhos traquinas e barulhentos.
               Numa infância assim,vivida no âmbito da família, meus primeiros amiguinhos, com certeza, não tinham como não surgir entre os primos e primas com quem brincava, à toda hora, na casa de um e de outro.
               Só quando passamos a morar na rua Tiradentes, um pouco afastado do centro, é que outros amiguinhos foram surgindo, como os filhos do Major Cunha Lima e dona Nenzinha, com destaque para Fernando e Ronaldo, os dois mais traquinas e que mais deram certo comigo.
                   Exímia costureira, foi da máquina-de-costura que dona Nair, por muito tempo, complementou as despesas da casa e o sustento dos filhos, até que se inscreveu num curso do FISI (organismo social americano especialista na formação de parteiras) e que estava presente no nordeste brasileiro, á época, para suprir, com certeza, a falta de médicos na região.
                  Alguns meses depois, após fazer as provas finais em João Pessoa e receber o necessário diploma, eis que voltamos à Campina, tendo a nova parteira assumido um cargo na Prefeitura e passado a atuar na Maternidade Elpídio de Almeida.                          
                  Minha vida estudantil se passou, certamente, nos dez anos vividos no Colégio Diocesano Pio XI, onde infância e juventude se misturaram, período após período, do primário ao ginásio, sem esquecer o científico, tendo sempre de obedecer as leis rígidas do padre Emídio Viana, diretor do educandário, onde fiz.também um curso chamado pré-militar, que preparava o aluno de 17/18 anos para servir ao exército nacional, de cuja convocação escapei, devido, principalmente, à minha excessiva magreza.                       
                   No início dos anos 50, botando fé nos elogios que a minha professora de português, dona Jacinta, fazia às minhas matérias redacionais e à maneira como pedia que as lesse para que toda classe as ouvisse e entendesse, fiz um teste, na antiga Rádio Borborema, para redator e locutor, tendo sido aprovado e contratado.
              Antes, trabalhei por pouco tempo em algumas lojas comerciais, inclusive na conhecida Lojas Pernambucanas, como caixa geral.
                Com apoio do diretor de arte da emissora, Fernando Silveira, meu mestre e amigo, de saudosa memória, logo me tornei seu assistente e passei a produzir programas e novelas, como “Paixão de Cigano”, “Cavaleiro da Vingança”, “A ilha dos Mortos” e tantas outras que ganharam muita repercussão em toda a região serrana, devido às ondas curtas e médias da emissora, que eram sintonizadas com facilidade em quase todo o estado., 
                Foi nesta fase da minha vida, com os neurônios da juventude em pleno vapor, que surgiram programas ainda hoje lembrados pelos meninos da época, como “As Aventuras do Flama”, seriado com muita ação, feito para o público infanto-juvenil, que era transmitido todas as tardes, de segunda à sexta-feira, man-tendo um impressionante nível de audiência,
                       Quando o herói se tornou conhecido e a meninada já participava do “Clube do Agente Secreto do Flama”, com carteirinha e tudo mais e com reuniões aos sábados no auditório da Borborema, tive que pôr à prova mais uma das minhas aptidões, o desenho, passando a desenvolver as histórias do seriado numa revista em quadrinhos, para felicidade dos seus milhares de fãs.
              A publicação, com textos, diagramação e desenhos feitos por mim, teve todos os clichés confeccionados no antigo “Diário da Borborema”, ali, na Cardoso Vieira, e foi impressa na “Gráfica Júlio Costa”, no prédio ao lado, transformando-se na primeira revista em quadrinhos publicada no norte e nordeste do Brasil.                       
                     Outros programas, com certeza, foram levados ao ar, diariamente, como a crônica “Bom Dia Para Você”, os divertidos “Seu Encrenquinha” (criticando tudo o que estava errado) e “Patrulha da Cidade”, narrando, com graça, os acontecimento policiais, além de “Pensâo Hospício”,,humorístico, “O Cinema em sua Casa” (radiofonizações de filmes famosos), e tantos outros, apresentados semanalmente.
                       E foi assim, nos veículos associados de Campina – nas emissoras de rádio e de TV, e no jornal (o velho Diário da Borborema que já não circula mais) – que a minha vida foi se consolidando profissionalmente, enquanto muitas amizades se formaram para sempre, envolvendo pessoas como Hilton Mota, Gil Gonçalves, Leonel Medeiros, Themistocles Maciel, Joselito Lucena, Eraldo Cesar, Ary Rodrigues, Humberto de Campos, Genésio de Souza, Paulo Rogério, Edileusa Siqueira, Silvinha de Alencar, Eliza Cesar, Janete Alves e tantas outras, cuja relação completa ainda permanece na minha memória (sendo que a maioria delas já não se encontra entre nós),
                        Já casado (Adivinhem quem foram os padrinhos ? Claro: Hilton Mota e Alba, sua esposa), tive, a partir daí, que encarar a vida com  mais seriedade, já que os filhos da união com dona Zita, a primeira esposa, já estavam a caminho: inicialmente, Delba; logo após, Deodato Filho, e, na sequência, Denickson, Denise e Denison, que logo estariam encomendando netos e bisnetos para alegrar minha vida.
                        Convocado por Assis Chateaubriand, dono dos Associados, Hilton Mota assumiu, em 1962, a Superintendência dos Diários Associados em Pernambuco, levando-me na bagagem, como Diretor Geral da empresa, para cuidar, especialmente, das rádios Clube (a velha PRA-8) e Tamandaré, sem esquecer, é claro, a TV Rádio Clube, que passava por dificuldades financeiras, já que só o Diário de Pernambuco, à época, mostrava prá que veio.
                       Foram mais de quatro anos de luta constante, durante os quais aprendi a amar e admirar a terra vizinha, especialmente as cidades de Olinda e Recife, onde morei, fiz muitos amigos e das quais surgiram dois dos meus filhos, tendo sido a época em que mais viajei ao sul do país, especialmente ao Rio e São Paulo, sempre em busca de melhorias para as empresas locais..
                      Com as emissoras de rádio e TV liderando a audiência e dando lucro certo, retornei à Campina Grande, quatro anos depois, voltando a dirigir as emissoras de rádio e TV e refazendo os contatos com os amigos.
                       Mesmo tendo participado da campanha que elegeu Enivaldo Ribeiro prefeito de Campina Grande em 1976 e de ter sido nomeado para um importante cargo na administração municipal, preferi aceitar um convite do governador Ivan Bichara para assessorá-lo na secretária de Comunicação, já que a minha mãe, dona Nair, acabára de ser diagnosticada com um câncer no seio, sendo urgente e inadiável a nossa mudança para João Pessoa.
                    A principal providência, portanto, foi tomada de imediato: já que aluguei uma casa num terreno vizinho ao Hospital Laureano, onde, através de uma abertura no muro, passavam médicos e enfermeiras, que cuidavam, permanentemente, de dona Nair, sem que ela precisasse ficar hospitalizada, já que haviam instalado, no seu quarto, os equipamentos necessários para o seu tratamento, tendo sido assim, com essas providências, que a minha mãe viveu por mais dez anos, distribuindo carinho e amor aos seus filhos.
                  No mesmo ano, passei a trabalhar também no Correio da Paraíba que, à épo-ca, não era o conglomerado de hoje, pois contava apenas com um jornal (ainda impresso pelo sistema antigo, na base de linotipos e clichés) e uma emissora de rádio AM, com pouca potência de transmissão, mas com uma boa audiência na cidade.
                       Foi o deputado federal Teotônio Neto, dono da empresa à época, que esteve em minha casa, em Manaira, e, de volta à Brasília, pediu-me que tomasse conta dos veículos de comunicação, juntamente com meu amigo Aluisio Moura, de saudosa memória.Outra coisa não fizemos – eu e Aluisio (isso sem falar em João Manoel de Carvalho, editor-chefe, à época, e ainda hoje, bastante atuante, editando o jornal Contraponto) -, já que o Correio logo estaria sendo impresso em off-set, passando a funcionar na rua Pedro II, onde se encontra até hoje, especialmente após ser adquirido pelos empresários Roberto e Paulo Cavalcanti, da Polyutil.
                      Foram quinze anos de minha vida dedicados ao Sistema Correio de Comunicação, como um todo, participando do surgimento das demais emissoras de FM, não só em João Pessoa como em outras cidades, até o aparecimento da TV Correio, que deu asas e força à empresa, como um todo.
                          Nesta época, no início dos anos 80, Damásio Franca, eleito, mais uma vez, prefeito de João Pessoa, pediu-me que o ajudasse a preparar um projeto, que seria enviado à Câmara Municipal, criando uma Secretária de Comunicação para o município. Aceitei o convite e logo o projeto já estava na Câmara, onde foi aprovado. E foi assim, ocupando sempre o cargo de Diretor de Comunicação, estratégicamente bolado para substituir o de sub-secretário, que permaneci, ao longo de várias administrações, como as de Osvaldo Trigueiro, Carneiro Arnaud, Chico Franca e, lógico, as duas seguidas de Cícero Lucena.
                         Em 1982 não tinha como não estar presente em Campina Grande para receber Ronaldo Cunha Lima que havia sido afastado da Prefeitura em 1968, com seus direitos po-líticos cassados pela revolução, e agora estava de volta, anistiado, depois de dez anos no Rio, querendo recuperar o apoio popular que nunca perdêra, tanto assim que foi eleito, mais uma vez, como prefeito da cidade.
                       Quando se candidatou a Governador do Estado em 1990, não tive outra alternativa, senão largar tudo e oferecer os meus serviços para o que precisasse, na campanha política: era o menino da Tiradentes, o adolescente dos primeiros versos, o advogado inteligente e o amigo de sempre que ali estava ante um grande desafio, esperando a ajuda de todos, es-pecialmente do povo paraibano.
                    Eleito Governador em 1991, Ronaldo não fez por menos e pediu que ficasse ao seu lado nas andanças pelos municípios do estado, como Secretário de Comunicação Social, preparando os caminhos para uma grande administração que pretendia realizar na sua terra, tendo se afastado do Governo em 1993, deixando, em seu lugar, o vice, Cícero Lucena.
                       Em 1994, fiz a campanha de Mariz, outro grande amigo, como se fosse a reeleição de Ronaldo, e não deu outra: eleito, segredou-me que queria continuar a contar com o meu trabalho. Só que que teve de viajar às pressas para São Paulo, a fim de tratar um câncer. E de lá não voltou mais. Foi o vice-Governador Maranhão, que estava no cargo, quem me pôs a par de tudo, num único telefonema, comunicando o falecimento de Antônio Mariz e, ao mesmo tempo, dizendo que acabára de assinar a minha nomeação como diretor da Rádio Tabajara.
                       A partir dai, seguiu-se a reeleição de Maranhão em 1999, que foi em frente até o ano de 2003, quando a presença de Ronaldo voltou a ser forte na administração estadual, através da figura do seu filho, governador Cássio Cunha Lima, que se estendeu até o ano de 2010, período em que estive no jornal A União e mais uma vez na Tabajara, assim como na PB-Gás, procurando ajudar o menino no que fosse possível.
                      Nos últimos anos, a não ser por uma participação pequena na campanha de Cícero Lucena como candidato a prefeito de João Pessoa, tenho me mantido afastado das atividades políticas, torcendo, como sempre, pelos meus amigos que lá estão, a fim de que todos possam atingir os objetivos a que se propõem.
                  Foram essas as reminiscências que me ocorreram no dia de hoje, quando, ao lado da minha segunda esposa, Elcemy (a minha Boneca), lembrei-me que o domingo, 20 de janeiro, dia de São Sebastião (é por isso que as melhores comemorações do meu aniversário aconteceram no Rio), está chegando.
                    Penso, repenso... vejo, revejo... e fico sem entender como tudo passou tão depressa.
                    Como diria meu grande e saudoso amigo Chico Anísio: foi tudo muito ligeiro... foi vapt-vupt.
                    De súbito... valeu o susto: oitenta.
                    E nada do que passou volta mais.