terça-feira, 14 de maio de 2013

A CRÔNICA DO DIA - 14/05/2013



DUPLA HOMENAGEM



               Se ela nasceu em Campina Grande e o outro, ali pertinho, em Queimadas, ambos com a mesma inclinação para a música popular nordestina, está na cara que, num dia qualquer, entre os shows da Rádio Borborema de antigamente e as festas juninas que sempre tomaram conta da cidade, os dois... Antonio Barros e Cecéu... teriam que se encontrar.
                 Embora seguissem carreiras solos, os caminhos dos dois notáveis intérpretes e compositores de tantos sucessos da MPN, teriam, forçosamente, que se cruzar, já que eles tinham muita coisa em comum, como o fato de terem nascido na região de Campina Grande, a atração pelos nosso ritmos e uma amizade sincera com o famoso Luiz Lua Gonzaga, o rei do baião.
                 Nos anos 60, Antonio Barros começou a tocar triângulo no regional de Luiz Gonzaga, na casa de quem morou, na Ilha do Governador. Mas foi atuando como contrabaixista do conjunto de ritmos do navio Ana Nery, que vivia cruzando o litoral brasileiro em viagens turísticas, onde encontrou tempo e inspiração para começar a compor seus grandes sucessos musicais. A partir de lembranças da infância, fez Procurando Tu e entregou a música ao Trio Nordestino, sendo seu primeiro grande sucesso nacional, gravada também por Ivon Curi e Jackson do Pandeiro. A partir daí vieram, Cuidado com as Coisas, Madrugada, Faz Tempo que Não lhe Vejo, com o Trio Nordestino, assim como Estrela de Ouro, gravada por Luiz Gonzaga e Gonzaguinha, além do seu insuperável Homem com “H”, composta para a novela O Bem-Amado, mas que só ficou nacionalmente famosa na voz de Ney Matogrosso. Seguindo idênticos caminhos, Cecéu (cujo nome verdadeiro é Mary Maciel Ribeiro), conheceu Luiz Gonzaga, de quem se tornou grande amiga, em 1970, quando fazia gravações na CBS, com os Três do Nordeste e Marinês. Neste mesmo ano, Elba Ramalho obteve um sucesso espetacular com o xote Bate Coração, de Cecéu, gravado ao vivo no Festival de Montreaux, na Suíça. Em 1982, já emplacava uma grande música de sua autoria – Por Debaixo dos Panos – que Ney Matogrosso transformou em enorme sucesso. No ano de 1985, Gonzagão emplacou suas musicas Forró nº 1 e Sanfoneiro Macho. Tão ligados estavam em seus destinos, que os dois – Antonio Barros e Cecéu – teriam que estar unidos, também, numa grande paixão. Ao unir suas vidas, casando-se, a dupla se fortificou mais ainda. Hoje, não se pode escolher um grande sucesso da música popular nordestina que não seja da autoria de um ou de outro – ou dos dois.  Quem pode esquecer Cuidado com as Coisas, Esse Brasil é Meu, Já Faz Tempo não lhe Vejo, Ninguém Pode com Você e tantas outras músicas que ficaram em nossa lembrança ?
               O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, num momento de grande inspiração, resolveu homenagear Antonio Barros e Cecéu no São João deste ano, dedicando, aos dois, todas as festividades juninas que serão realizadas na capital paraibana, comemorando, assim, os 40 anos de formação da maior dupla de intérpretes e compositores da música popular nordestina                                           
                  Parabéns, Antonio Barros... parabéns, Cecéu... vocês dois, mais que ninguém, merecem esta homenagem !  

                                    http://www.youtube.com/watch?v=NMEdh_8pTUA



sábado, 11 de maio de 2013

A CRÔNICA DO DIA - 12/05/2013

                                                                       
                                                                       

                                                                                    
                                          PRESENÇA DE MÃE

                          A vida de cada de um nós, seres vivos (não importa se falamos de uma criatura humana ou de um animal) sempre depende de uma mãe, não apenas para coloca-lo no mundo em que se encontra, mas, principalmente, para ensiná-lo a percorrer os caminhos (nem sempre fáceis) da existência.
                        E são muitas – graças a Deus – as mães que nos cercam e nos orientam ao longo da vida, senão jamais chegaríamos aos nossos destinos.
                        Na minha vida, por exemplo, além de dona Nair, minha mãe, cuja presença se tornou eterna em todos os momentos vividos, mesmo depois de ter bus-cado abrigo na terra divina, não posso esquecer a minha avó, dona Zefinha, mãe de meu pai, que me tratava, enquanto viveu, como um filho muito querido. E a presença marcante da mãe dos meus filhos, cuidando de cada um deles com atenção e desvelo,  mostrando-lhes os caminhos a seguir ao longo da vida ? E outras mulheres com as quais convivemos, no decorrer da existência, como a minha atual esposa, que são exemplos vivos de verdadeiras mães, capazes de tudo na lúta por bem encaminhar e garantir o futuro de um filho ?
                       Acredito, sim, que na vida de cada ser humano, existe, não ape-nas na hora de nos conceber e nos dar a luz, uma presença permanente e definitiva de uma mãe, sem a qual ninguém chegaria a lugar nenhum neste mundo cada vez mais difícil de ser habitado.
                        Como é fácil de perceber – e quanto a isso todos nós concordamos plenamente -, pertence às mães, sem dúvida, todos os dias do ano (cada hora e cada minuto), já que, sem elas, nada existiria em nossa volta.
                        Está claro que, por força do nosso calendário, todos nós já nos acostumamos a comemorar o Dia das Mães no segundo domingo do mês de maio, quando os filhos de todas as mães do Brasil, invariavelmente, prestam homenagem àquelas que lhes deram a vida, ofertando-lhes presentes os mais diversos e demonstrando-lhes de todas as maneiras, com beijos, abraços e tudo o mais, todo o amor que eles dedicam à mais pura e mais querida de todas as criaturas, que é, certamente, a mãe de cada um.
                  Neste dia, com certeza, cada filho deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para homenagear sua mãe. O filho-poeta aproveita a suprema inspiração para fazer um belíssimo soneto, como fez Bilac: Mãe é desdobrar fibrar por fibra o coração..., ao mesmo tempo em que o filho-cantor eleva a voz para saudar sua mãe com uma música enternecedora. Mas os filhos que não são poetas nem cantores, que não são pintores nem artistas, que não têm, finalmente, nenhum pendor artístico, podem demonstrar seu amor, até com mais reciprocidade, através de gestos de carinho que sempre falam mais alto do que qualquer outro tipo de demonstração de afeto. 
                        Como já notaram, não é apenas no dia de hoje que devemos homenagear as nossas mães, cercando-as de ternura e carinho. Em todos os dias do ano, os filhos devem simplesmente retribuir o que as mães já fazem com tanta naturalidade, a todo momento, dedicando-se, de corpo e alma, a cada um de nós. À cada dia que despertamos, tendo ao nosso lado aquela mulher tão doce e angelical – que nos deu todo o amor e todo o carinho possível, além do nosso bem mais precioso, que é a própria vida – devemos agradecer a Deus por sua presença, transformando-a no centro de todas as nossas atenções. 
                       Mesmo aqueles que já não têm mais o privilégio de contar com a força da presença materna, devem, no dia de hoje, erguer, em oração, as suas vozes, lembrando todos os momentos felizes que foram vividos ao seu lado, já que as mães, mesmo depois de nos deixarem e partirem em busca das paragens divinas, continuam, pela força do seu amor, a nos proteger. 
                  Nesta data, dupliquemos as nossas demonstrações de afeto, reafirmemos os nossos sentimentos e marquemos este 12 de maio com muito carinho.

                    Toda mãe merece, hoje, mais do que nunca, o nosso amor.     

                     http://www.youtube.com/watch?v=uvBBrAYEHpo
   
                                              

segunda-feira, 29 de abril de 2013

CRÔNICA DA SAUDADE - 24/04/2013



                                    UMA VOZ INESQUECÍVEL



            Dos cantores da época de ouro do rádio – onde se incluem Francisco Al-ves, Sílvio Caldas, Vicente Celestino, dentre outros -, nenhum conseguiu amealhar tantos fans em tão pouco tempo de sucesso, quanto Carlos Galhardo, cuja voz, verdadeiramente encantadora, ficou para sempre no coração dos brasileiros.
                 Neste mês, quando transcorre, neste 24 de abril, o centenário do seu nasci-mento, não podemos deixar de lembrar as grandes interpretações de Carlos Galhardo, que nasceu Catello Carlos Guagliardi, em Buenos Aires, na Argentina, em 1913, filho dos italianos Pedro Guagliardi e Saveria Novelli.
                Dois meses após o seu nascimento, a família mudou-se para São Paulo e, logo depois, para o Rio de Janeiro, onde procurou acompanhar a profissão do pai, que era alfaiate, sendo que a música, já presente em sua vida, tornou-se do jovem cantor, que começava a aparecer, graças ao amigo e compositor Assis Valente, que o incentivava.
               Em 1935, ao gravar a valsa-canção Cortina de Veludo, o nosso Carlos, que já havia incluído o Galhardo como sobrenome, transformou em sucesso a composição de Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago, que, ainda hoje, tantos anos depois, ainda é reverenciada por sua beleza.
                Além de gravar e fazer sucesso com muitas músicas carnavalescas, foi com as datas festivas que Galhardo se tornou primeiro sem segundo, gravando músicas alusivas às datas mais comemoradas no país, como Boas Festas, no Natal, Mãezinha Querida (Dia das Mães), Papai do Meu Coração (Dia dos Pais), Tempo de Criança (Dia das Crianças), Balão do Amor (São João), Valsa dos Namorados (Dia dos Namorados), Quarto Centenário (Aniversário de São Paulo) e tantos outras datas foram lembradas, imortalizadas com sua voz de ouro.
                 Muitas foram as músicas que ele gravou, colocando-as, para sempre,  num lugar de destaque em nossa memória, como Adeus, Amor, de Urbano Lóes, A Você, de Ataulfo Alves, A pequenina cruz do teu rosário, de Fernando Wayne, Bodas de Prata, de Roberto Mar-tins e Mário Rossi, Cortina de Veludo, de Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago, Devolve, de Mário Lago, ...E o destino desfolhou, de Gastão Lamounier e Mário Rossi, Fascinação, de Armando Louzada, Linda Borboleta, de João de Barro e Alberto Ribeiro, Mais uma valsa... mais uma sau-dade, de José Maria de Abreu e Lamartine Babo, Rosa de Maio, de Custódio Mesquita e Ewaldo Ruy, Saudades de Matão, de Jorge Gallati e Raul Torres, e muitos outros sucessos, que ficaram eternamente gravador em nosso coração.
               Ao todo, Carlos Galhardo gravou 570 músicas, sendo um dos cantores que mais gravou em nosso país, afora Francisco Alves.
               No dia 25 de julho de 1985, em São Paulo, veio a falecer, deixando, a partir daí, em todos nós, especialmente naqueles que ouviram ao vivo a sua voz, uma saudade que, ao que parece, ficará para sempre em nossa memória.
                Agora mesmo, Carlos Galhardo está aqui, como sempre esteve em todo país, através da sua voz, cantando e encantando a todos.
                 Uma saudade dessas não tem limites.  

                 https://www.youtube.com/watch?v=5g2sY1pUZdc                     

sábado, 27 de abril de 2013

A CRÔNICA DO DIA - 27/04/2013

         
                                                                   

                                     A MAIORIDADE PENAL

          A discussão é tanta em torno do têma (deve-se ou não diminuir a maioridade penal em nosso país ?), que a gente - mesmo sem querer, querendo -, já que estamos com a corda-no-pescoço ante os crimes que se sucedem em todo o país, envolvendo adolescentes, que resolvemos abordar o assunto aqui, numa crônica, trazendo até vocês o nosso pensamento a respeito.
           Antes de dizer o que está certo ou errado em nossa legislação, fomos em busca de informações sobre como o mesmo têma é tratado em outros países, especialmente naqueles bem mais evoluídos e mais antigos, sejam quais forem os seus continentes.
      É bom que se entenda que maioridade penal (que também é conhecida como idade de responsabilidade criminal) é a idade a partir da qual o indivíduo pode ser penalmente responsabilizado por seus atos em determinado país ou jurisdição.
            Enquanto a nossa maioridade penal é a partir dos 18 anos, como entender que na Inglaterra ela fique entre 10 e 14 anos, 12 anos na Grécia, no Canadá e nos Países Baixos, 13 anos na França, Israel e Nova Zelândia, e 14 anos na Áustria, Alemanha e Itália ? E o que dizer da Polônia (13 anos), Escócia (8 anos), País de Gales (10 anos), Rússia (14 anos), Ucrânia (10 anos) ? E nos Estados Unidos, onde 13 estados fixaram uma idade que varia entre 6 e 12 anos e os demais estados entre 7 e 14 anos ?
                Sem levar em conta o continente onde se encontra, lá está o México (6 a 12 anos), Groelândia (6 a 7 anos), Irã (9 a 15 anos), Turquia (11 anos), Bangladesh (11 anos), China (14 anos), Singapura (7 anos), Coreia do Sul (12 anos), Filipinas (11 anos), Índia (7 anos), Indonésia (8 anos), Japão (14 anos), Nepal (10 anos), Paquistão (7 anos), Vietnã (14 anos), África do Sul (7 anos), Argélia (13 anos), Egito (15 anos), Etiópia (9 anos), Nigéria (7 anos), Marrocos (12 anos), Tanzânia (7 anos), e segue por aí.
          E o nosso Brasil tem seguido em frente, aos trancos e barrancos, conforme acompanhamos diariamente nos noticiários de rádios e TVs, com a garotada brasileira, matando e assumindo os crimes que praticam, já que, graças à sua idade (abaixo de 18 anos), eles pouco ou quase nada recebem como castigo, a não ser uma breve passagem pela Fundação Casa e... pronto: já estão aptos a cometer os mesmos delitos, matando ou roubando, como lhes convier.
               O que nos faz estar aqui, comentando um assunto tão traumáti-co para todos nós, é a sequência de acontecimentos tristes e profundamente lamentá-veis que, diariamente, chegam ao nosso conhecimento, envolvendo jovens que, sem a menor cerimônia, confessam assaltos e assassinatos terríveis , como se estivessem falando sobre um acontecimento banal.
                Está na cara que o nosso país precisa, com urgência, de uma legislação mais severa, envolvendo jovens criminosos.
            A maioridade penal pode e deve ser alterada, a fim de que a juventude brasileira possa se enquadrar no que é certo ou errado, evitando trilhar os caminhos do crime, sabendo que serão punidos se caírem nas malhas da justiça.
           Que os nossos legisladores discutam o problema e, se possível, ouçam o nosso povo, mas que não deixem de tomar uma decisão em torno da maioridade penal, que é, hoje, uma das aberrações da justiça brasileira.
         Todo criminoso é terrível, mas o jovem, que acaba  de matar alguém e logo estará livre para continuar matando outras pessoas, é pior ainda.
                                   Ele transfere a culpa do seu ato para todos nós.
                                    
                                  
                                   

segunda-feira, 22 de abril de 2013

CRÔNICA DA SAUDADE - 18/04/2013


                                                                     

UMA VOZ... UMA SAUDADE

              Há quinze anos, no dia 18 de abril de 1998, o Brasil perdia um pouco da sua musicalidade e do seu romantismo com o falecimento de um dos seus mais consagrados cantores de todos os tempos, ídolo de milhões de brasileiros e dono de uma voz inconfundível: Nelson Gonçalves.
                Filho de pais portugueses, que passaram a residir em São Paulo, no bairro do Braz, logo após o nascimento do primogênito, Antonio Gonçalves Sobral (era este o verdadeiro nome de Nelson Gonçalves), que nasceu em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, no dia 21 de julho de 1919.
               Aos 16 anos, tornou-se lutador de boxe na categoria peso-médio, até que, dois anos depois, resolveu tentar a sorte como cantor. Num programa de calouros da Rádio Tupi de São Paulo fez a primeira tentativa e foi reprovado. Na segunda, foi contratado. Tentou fixar-se no Rio de Janeiro, mas foi em São Paulo onde recebeu convite para um teste de gravação e foi recomendado a RCA Victor pelos compositores Osvaldo França e Rosano Monello. Foi com a ajuda de Benedito Lacerda que gravou, em 1941, seu primeiro disco, onde o samba Sinto-me Bem, de Ataulfo Alves, fez um relativo sucesso, garantindo ao cantor dois contratos: um, com a gravadora e, outro, com a Rádio Mayrink Veiga, para onde foi levado por Carlos Galhardo. Nesse mesmo ano, ao gravar Renúncia, de Roberto Martins e Mário Rossi, deu início à uma série de sucessos que marcariam a década de 40, como a célebre canção Maria Bethânia, de Capiba, os tangos Carlos Gardel e Hoje Quem Paga Sou eu, de Herivelto Martins e David Nasser.
                  Na década de 50, gravou sucessos marcantes de Adelino Moreira, como A Última Seresta e A Volta do Boêmio, além de parcerias com o compositor em Mariposa, Timidez e no bolero Fica Comigo Esta Noite. No final da década, Nelson tornou-se viciado, passando a travar uma dramática batalha contra as drogas, problema que acabaria por ocasionar uma interrupção em sua carreira em 1962, quando foi preso por acusação de portar e consumir entorpecentes, tendo sido, no entanto, absolvido em julgamento.
               Nessa época, formou-se um mutirão de amigos que se uniram em torno da sobrevivência do cantor... do seu retorno às atividades artísticas... de sua volta aos shows, às gravações e ao sucesso. Por telefone, ele pedia socorro. E foram muitas as vezes em que inventamos temporadas do Nelson na Rádio Borborema de Campina Grande, onde ele vinha e se apresentava cercado de cuidados, acompanhado da esposa, que o mantinha afastado das drogas. Em 1965, ele já era o mesmo Nelson de sempre. Gago, inteiramente gago ao falar; perfeito, totalmente perfeito, ao cantar.
                       Em vida, nenhum cantor popular foi maior do que Nelson: gravou 120 LPs,  20 CDs, vendeu 50 milhões de discos, ganhou 15 discos de platina e 41 de ouro.
                       E ficou para sempre no coração do povo brasileiro. 

                       http://www.youtube.com/watch?v=ZLZjoZugaD8                      

segunda-feira, 15 de abril de 2013

CRÔNICA DA SAUDADE - 15/04/2013


                                                                       

SAUDADES DE CAYMMI

                        Nos anos 70, estive morando, por quase um ano, em Salvador, na Bahia, a serviço dos Diários Associados. De repente, lá estava eu, na terra de tantos sonhos, percorrendo as ladeiras de Salvador, as suas muitas igrejas, o seu famoso Mercado Modelo e, pra que não disessem que eu só fui pra lá pra fazer turismo, comecei a preparar, ao mesmo tempo, as novas programações da Rádio Sociedade e da TV Itapuan, que eram os veículos associados, naquela época, no estado.
                       Nas minhas andanças com os colegas da empresa, em busca de contratar pessoas que pudessem nos ajudar no lançamento das novas programações, fui apresentado à uma figura excepcional: o escritor Guido Guerra – um jovem e talentoso contista, bastante conhecido em todas as áreas. Foi por intermédio de Guido que almoçamos, certo dia, com Jorge Amado e Zélia Katai, numa entrevista informal com o casal, quando descobrimos que o maior escritor brasileiro, à época, escrevia todos os seus livros à mão, já que nunca aprendera a usar uma máquina de datilografia. Era ela, a sorridente Zélia, sua companheira, quem botava ordem em todos os seus rascunhos, datilografando-os, um a um. E o que era mais incrível - conforme confidenciou – cabia à ela a tarefa de colocar as vírgulas e ponto-e-vírgulas que o nosso Jorge, comumente, esquecia de colocar.
                       Foi com Guido Guerra, também, que fomos à festa dos 60 anos de Dorival Caymmi, grande amigo de Jorge Amado e um dos maiores e mais festejados compositores brasileiros de todos os tempos. Lá estávamos nós, na casa de Caymmi, na praia de Ondina, cercado por familiares – por Stella, sua esposa, e pelos filhos, Nana, Dori e Danilo, além de amigos e parentes – o próprio Caymmi, com seu jeitão de eterno jovem, apagando as 60 velinhas do bonito, cheiroso e enfeitado bolo.
                       Nascido em Salvador, no dia 30 de abril de 1914, filho do funcionário público Durval Henrique, que tocava violão, bandolim e piano, e de Dona Sinhá, como sempre foi conhecida a sua mãe, Aurelina Cândida Caymmi, Dorival logo se aventurou pelo mundo da música. Em 1939, Caymmi já lançava, com Carmen Miranda, seu primeiro grande sucesso O que é que a baiana tem ? E vieram outros eternos sucessos da nossa música popular, como Boneca de Pixe, Na Baixa do Sapateiro, O Mar, O Samba da Minha Terra, Quem Não Gosta de Samba, É Doce Morrer no Mar (em parceria com seu amigo Jorge Amado), A Jangada Voltou Só, Requebre que eu dou um Doce, Vatapá, Rosa Morena, Marina, Gabriela, Nunca Mais, Sábado em Copacabana, Não Tem Solução e o célebre... Você Já Foi à Bahia ?, além de muitas outras páginas do nosso cancioneiro.
                       Foi esse o Dorival Caymmi que conheci há mais de 30 anos - o mesmo jovem que, no dia 16 de agosto de 2008, resolveu partir para a eternidade, aos 94 anos, deixando tristes e saudosos todos os seus amigos e admiradores espalhados por esse imenso Brasil.
                       Já faz quase cinco anos, portanto, que o nosso Caymmi deu um pulo ali no céu, mergulhou na eternidade e nunca mais voltou.

                              http://www.youtube.com/watch?v=moa81-S4cog




quinta-feira, 11 de abril de 2013

CRÔNICA DA SAUDADE - 11/04/2013


                                                                               


                                     SAUDADE DA MORENA

             A melhor lembrança que guardo de Clara Nunes, a morena de Angola que enlouqueceu o Brasil, foi a sua entrada estonteante em minha sala, em 1968, quando dirigia a Rádio Sociedade da Bahia, em Salvador, bela e envolvente nos seus 26 anos, trazendo, em suas mãos, o segundo LP que acabára de gravar na Odeon, cujo título – Você passa, eu acho graça – fazia parte da letra da música de Ataulfo Alves que tinha se transformado em seu primeiro grande sucesso, tendo servido, também, para fixar a sua voz ao nosso samba.
          Logo após ouvir a música-tema do LP e de parabenizar a jovem cantora por sua interpretação, autorizei que a gravação fosse tocada nos principais horários da emissora e fiz um convite à sua intérprete para que participasse de um programa de auditório que logo iria ao ar na TV Itapuan. Clara não só aceitou o convite, como subiu ao palco e, diante das câmeras, deu um show de canto e de rebolado, conquistando de vez a admiração dos baianos.
             Alegre e descontraída, parecendo sempre de bem com a vida, Clara Nunes passou pela vida como um raio de luz, iluminando os caminhos e conquistando corações com a força dos seus encantos e das suas interpretações musicais.
              Tendo sido a caçula dos sete filhos do casal Manuel Araújo e Amélia Nunes, Clara nasceu, no dia 12 de agosto de 1942, no distrito de Paraopeba (hoje Caetanópolis), no município de Cedro, no interior de Minas Gerais, local onde viveu até os 16 anos de idade. Suas primeiras ligações com a música, foi através do pai, que era violeiro e tocava nas festas de Folia de Reis, e com o coral da Matriz de Cruzada Eucarística, onde cantava ladainhas em latim. Com a morte dos pais, foi morar com dois irmãos em Belo Horizonte, participando do Coral Renascença, da igreja do bairro onde morava.   Em 1960, foi a vencedora do concurso A Voz de Ouro ABC, na fase mineira, cantando a música Serenata do Adeus, de Vinicius de Morais. Logo depois, com a música Só Adeus, de Jair Amorim e Evaldo Gouveia, obteve o 3º lugar na finalíssima realizada em São Paulo. Ao lado de Milton Nascimento – Bituca -, que atuava como baixista, ela passouaparecer como crooner de boates e, logo após, na televisão, fazendo sucesso no programa de Hebe Camargo na TV Itacolomi, até que ganhou um show todo seu, onde apresentava artistas de renome nacional, como Ângela Maria, Altemar Dutra e muitos outros. Em 1965, foi para o Rio de Janeiro, onde passou a atuar nos melhores programas de televisão. A partir de 1969, com o disco Ave Maria do Retirante, tornou-se nacionalmente conhecida. No ano seguinte, realizou, com Ivon Curi, um grande show em Luanda, na África. Com Toquinho e Vinicius, percorreu o Brasil com o show O Poeta, a Moça e o Violão. E vieram os grandes sucessos: Contos de Areia, Menino de Deus, O Mar Serenou, Juízo Final, Macunaíma, Herói da nossa gente, A Flor da Pele, Coração Leviano, Feira de Mangaio (do nosso Sivuca e Glorinha) e tantas outros.
            Clara morreu no Rio, dia 2 de um mês de abril igual a este,no ano de 1983, após submeter-se à uma simples cirurgia de varises. Faz 30 anos, portanto, que ela se foi, deixando, em seu lugar, esta imensa saudade. 

                                             http://www.youtube.com/watch?v=SLD43NX3vkE