terça-feira, 13 de agosto de 2013

A CRÔNICA DO DIA - 14/08/2013




                                                                                      



A FORÇA DE UM PAI


No último domingo, ao comemorar ao lado dos meus meninos, mais um Dia dos Pais, lembrei-me, ao longo da balbúrdia que aprontaram lá em casa, quando, há muitos anos atrás, fui apresentado a Sergio Bittencourt, nos corredores da antiga TV Tupi, no Rio, antes do início do Programa Flávio Cavalcanti. Emocionei-me, na ocasião, ao conhecer de perto, muito mais que o jurado famoso que sempre dava notas sensatas e merecidas aos calouros, mas o jornalista e compositor de tanto sucesso, que o Brasil inteiro aplaudia. 

Num bate-papo informal enquanto a gente tomava um cafezinho, fiquei sabendo do amor imenso que Sergio sempre havia dedicado ao seu pai, Jacob do Bandolim. Soube ainda que, para tristeza minha, o inspirado jurado, compositor e jornalista, era hemofílico desde a mais tenra idade e, apesar da sua luta constante contra a terrível doença, havia perdido praticamente uma das pernas, locomovendo-se com dificuldade. 

Foi da sua própria voz que ouvi um breve relato da morte do pai: Foi no dia 14 de agosto de 1969 – esse agosto é sempre insano – que meu pai, dirigindo sozinho o seu carro, chegou à sua casa, em Jacarepaguá, vindo da residência de um dos seus poucos ídolos, Pixinguinha, e – já ofegante – avisou que estava morrendo, sendo recostado por minha mãe e pelo meu avô no chão da grande varanda, onde morreria. Jacob Pick Bittencourt foi, para mim, mais do que um pai, do que um amigo, do que um ídolo. Ele foi, é e será sempre, para seu filho, um homem, desses que a gente escreve com “agá” maiúsculo, um ser genial. Tenho certeza e assumo: não sou nada, porque, de fato, não preciso ser. Me basta ter a certeza inabalável de que nasci do amor, da loucura, da irrealidade e da lucidez de um grande gênio. 

No dia do nosso encontro, o compositor Sergio Bittencourt ainda ouvia os aplausos do público brasileiro quando o grande sucesso musical do momento - Naquela Mesa - um samba-póstumo que fizera em homenagem ao seu pai,  era interpretado pela saudosa Elizeth Cardoso, que o imortalizou.

Num dia como o de hoje – 14 de agosto – pertinho Dia dos Pais (ocorrido no último domingo), o cronista fica sem saber, ao certo, a quem homenagear: se a Jacob Pick Bittencourt, que nasceu no Rio, no dia 14 de fevereiro de 1918, tendo falecido, há 44 anos, na mesma cidade, numa data igual à esta, ou a seu filho, Sergio Bittencourt, que na cidade maravilhosa também nasceu, em 1941, deixando inúmeras musicas de sucesso, até que a morte, um dia, em 9 de julho de 1979, também o levou, vítima de um enfarte, aos 38 anos.

A homenagem, justa e merecida, deve ficar para os dois expoentes da nossa música: para Jacob, por ter sabido ser um pai, na verdadeira expressão da palavra, e por ter legado à música popular brasileira tantos sucessos que ainda hoje recebem os aplausos do público; e ao seu filho, Sergio, por sua declaração pública de amor ao pai que sempre esteve ao seu lado, mesmo depois de morto, através de uma composição que, ainda hoje, mais de quarenta anos depois, continua presente em nossas vidas, tornando mais bela a data que hoje comemoramos. 

Cada filho que esteve, no último domingo, ao lado do seu pai, feliz com a felicidade daquele homem que sempre o guiou na vida, pode emocionar-se muito mais ainda, ouvindo a historia que Sergio Bittencourt nos conta com sua música.

Jacob foi um pai que serviu de inspiração a um grande filho. 



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